Governo pagou mais de KZ 700 milhões da dívida com alfabetizadores

Apesar de não ser revelado o montante global da dívida com os alfabetizadores, o pagamento de parte dos valores dos subsídios em atraso vai garantir a funcionalidade de um conjunto de acções da campanha de alfabetização..

A ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, revelou, ontem, que o Governo já pagou 710 milhões de Kwanzas dos subsídios em atraso dos alfabetizadores, estes que, nos últimos anos, têm vindo a queixar-se da morosidade verificada nos pagamentos por parte do Estado. Sem revelar o montante global da dívida, a governante, que falava à margem da primeira reunião do Conselho Consultivo do seu ministério, que decorre durante dois dias em Catete, fez saber que o valor saldado corresponde a 25 por cento dos subsídios em atraso para com os alfabetizadores de todo o país.

Actualmente, segundo Maria Cândida Teixeira, o Governo está a levar a cabo um conjunto de acções de forma a continuar a alfabetizar o universo de cidadãos nacionais que, devido a vários factores não aprenderam a ler nem a escrever. Neste sentido, apontou a intensificação da campanha de alfabetização e da educação de adultos e o alargamento da rede de parceiros que actuam neste segmento educacional, dos quais destacam-se as Igrejas e empresas privadas no âmbito da sua responsabilidade social para com os cidadãos mais vulneráveis. De acordo com a ministra, estas acções vão permitir que este ano a taxa de analfabetismo no país reduza em 23 por cento, apesar de ainda haver milhares de cidadãos que não sabem ler nem escrever.

Mais escolas serão construídas

“Registamos uma taxa de 75,3 por cento da alfabetização em 2017. Perspectivamos atingir os 77 por cento em 2018”, frisou. Ainda dentro das acções da inclusão escolar, Maria Cândida Teixeira fez saber que está  projectada, para os próximos tempos, a construção de um total de 5 mil e 582 escolas do ensino primário a nível nacional, o que vai permitir albergar um número alargado de crianças fora do sistema de ensino. Actualmente, segundo a ministra, o país tem um milhão de crianças fora do sistema de ensino. Porém, apesar deste número preocupante, a governante deu a conhecer que no presente ano lectivo foram matriculados nove milhões e novecentos e sessenta e quatro mil e 643 alunos no ensino geral, que estão albergados em 95mil e 443 salas de aulas e suportados por 181 mil e 624 professores. No entanto, de forma a continuar a melhorar o sector que dirige, Maria Cândida Teixeira frisou que está em curso uma série de acções e programas, dos quais destacam-se o conjunto de diplomas legais como o Estatuto da Carreira dos Agentes da Educação e o Estatuto Remuneratório que está em fase de aprovação pelo Conselho de Ministros.

Valorização do professor

“Por razões históricas, o Executivo adoptou uma política de valorizar o cidadão angolano com base no saber e na qualidade da sua prestação. Para o efeito, tem investido no desenvolvimento da educação e ensino, razão por que, mesmo nos momentos mais difíceis, a educação e o ensino estiveram sempre entre os sectores prioritários”, acrescentou. Segundo ainda Maria Cândida Teixeira, o seu ministério está a realizar uma série de medidas que vão garantir maior dignidade e valorização do quadro docente e do seu estatuto, de forma a fazer com que o conjunto de acções dos factores educativos sejam atingidos com qualidade. Nesta senda, revelou, no próximo ano entrará em vigor a política integrada de revalorização do Estatuto da Carreira Docente e dos Agentes da Educação, que será implementada com o Programa Nacional de Formação e Gestão do pessoal docente no período de 2019 a 2022.