Maria Adão Pinheiro: A produzir artigos de mateba

Maria Adão Pinheiro já vendeu peixe escalado e hortaliças diversas. Actualmente, dedica-se a fazer artigos de mateba, que valoriza a cultura nacional.

Quem passa pela estrada do Patriota no sentido para a Ponte Molhada, depara-se com Maria Pinheiro, sentada numa cadeira de plástico, ao ar livre, fazendo artigos de mateba ao som das buzinas e o movimento dos carros. Balaios, tapetes, cestos, bases, são expostos todos os dias no passeio e chamam a atenção de quem passa pelo local. Aparentemente com mais de 70 anos de idade, Maria Pinheiro começa a fazer as peças de arte às 7 horas da manha até às 13 horas. Momento que aproveita para se dirigir à casa para fazer a primeira refeição do dia. Natural do Calumbo, município de Viana, a artesã nunca frequentou a escola, porque os pais não tinham condições económicas.

Apesar de não ter frequentado a escola, a experiência e os anos de vida fazem dela uma mulher guerreira e sobrevivente para aguentar as dificuldades do dia-a-dia. Como já não pode fazer comércio na zunga, Maria Pinheiro vai à igreja aos fins-de-semana e aos dias úteis dedica-se a produzir balaios, fruteiras, tapetes e bases para mesa. A artesã aprendeu a fazer balaios, tapetes e cestos de mateba quando ainda estava na flor da idade, na faixa dos 25 anos. “A prendi a fazer cestos de mateba com as minhas amigas no bairro do Buraco, na Barra do Cuanza, quando ia comprar peixe”, lembra. Antes de começar a fazer as peças de arte, a mateba é molhada para ficar maleável e fácil de manusear. Apesar do cansaço da idade, Maria Pinheiro gostaria de ensinar a profissão aos mais jovens, que não se mostram interessados e alegam ser muito cansativo. “Tenho uma neta que incentivo a aprender a trabalhar com a mateba para fazer balaios e outros artigos, mas diz que é muito difícil”, explica. Tal como todo tipo de negócio, o preço das peças variam de acordo o tamanho e o feitio. Os tapetes custam 6 mil Kwanzas já as bases são comercializadas ao preço de 500 Kwanzas. Durante o dia, a anciã chega a fazer três balaios de diversos tamanhos.

Dificuldades

A principal dificuldade de Maria Pinheiro esta relacionada com a aquisição da mateba que é retirada na Barra do Cuanza e é preciso percorrer grandes distâncias para encontrar a matéria- prima. “Para adquirir a mateba tenho de ir até à Barra do Cuanza permanecer durante alguns dias para cortar o suficiente, com uma catana, depois alugo um carro que transporta para a casa”, conta satisfeita.

Projecto O principal desejo da anciã é conseguir um lugar seguro para continuar a fazer os seus artigos e ganhar algum dinheiro para ajudar a família.

Origem da Mateba

Mateba é nativa de África e encontra- se no país, concretamente na Barra do Cuanza e também na Guiné-Bissau. As folhas novas são utilizadas para o fabrico de cordas, cestas, sacos, esteiras e chapéus. A seiva extraída do tronco da matebeira, é utilizada para fazer vinho de palma, conhecido como “maruvo” ou “marufo”.