Morte de jovem de 18 anos ‘envolta em mistérios’ no Cazenga

O jovem João Pinto André, de 18 anos, foi morto com dois tiros na cabeça e um nas costas. As suspeitas iniciais eram de que os disparos teriam sido feitos por um ex-namorado da sua namorada, mas os factos apontam o contrário e a família apenas busca uma resposta e quer que se que faça justiça neste facto que consterna os moradores do bairro da Nocal, no Cazenga.

A forma como o corpo de João André foi encontrado, de barriga para baixo, o calção entre os joelhos, amarrado com a própria t-shirt e os disparos feitos (um nas costas e dois na cabeça) levantam várias interrogações no seio da família. Não foi encontrado muito distante da sua casa e a vizinhança apenas sabe dizer que na noite da sua morte apenas ouviram os disparos. Uma resposta é tudo o que Pinto André Mafimbo, de 45 anos, pai do menino, procura desde que perdeu o terceiro dos seus filhos. O jovem, no dia da sua morte, tinha-se ausentando de casa às 19h, alegando que não ia distante.

A família foi dormir até que à madrugada receberam a triste notícia de que o jovem tinha sido baleado. “Estivemos no local e ele já estava morto. No sítio, encontramos uma jovem que chorava e dizia que era seu namorado. Conversamos com ela e ela disse que na noite passada esteve com o meu filho até à altura em que apareceram dois jovens que diziam ser seus amigos e o levaram”, conta o pai. Antes de aparecerem os dois “amigos”, João estava a andar com a namorada e mais outros dois amigos.

A namorada ficou furiosa com ele, bem como os outros amigos, porque decidiu andar com dois amigos que não conheciam. João foi deixar a namorada em casa e, apesar de esta lhe ter dito para não voltar ao convívio com aqueles amigos, agiu de forma contrária. “A princípio, chegou-nos a informação de que quem fez os disparos foi um jovem que também namorou com a namorada do meu filho. Mas quando chegamos à esquadra com a menina, esta negou a informação, alegando que nunca namorou com os dois jovens com quem o João andava”, reforçou. Para o patriarca, até ao momento não se sabe quais as razões que levaram à morte de João, mas pensa-se que se a Polícia “apertar bem” a namorada será possível chegar à verdade dos factos.

Para além das declarações da namorada, a Polícia ouviu um dos dois últimos jovens que estiveram com João, que está detido, e este disse ser “grande amigo dele” e que não teria coragem de fazer o que lhe foi feito. Resta apenas a outra “peça”, que é o jovem que está em fuga, conhecido no bairro como 3 Caras. “Quem não deve, não teme”, diz a família, pelo que o jovem, se não fez nada, não devia colocar-se em fuga. 3 Caras é tido como alguém com comportamento desviante, visto que se sabe, segundo os moradores, que terá assassinato, meses antes, um jovem na praça dos Kwanzas e tinha o bairro da Nocal como seu ponto de fuga. O jovem 3 Caras (em fuga) e o outro identificado por Rei Kina (detido) são os dois que a namorada disse serem os últimos a estarem com João na noite da sua morte.

O detido disse que houve uma altura que tinha deixado João e o 3 Caras sozinhos e tinha ido para casa, pelo que não sabe explicar o que aconteceu para ele ser assassinado. João estudava a 8ª Classe num colégio do bairro, não tinha problemas com ninguém no bairro e era religioso, segundo o pai, pois processava a religião Testemunha de Jeová. Assim, o pai descarta a possibilidade de o seu filho ter sido marginal ou ter estado envolvido em rivalidades de gangues. “A justiça tem de ser feita, se hoje é o João, amanhã pode ser uma outra pessoa e sempre que matam é só fugir duma zona para outra zona”, voltou a frisar Pinto André Mafimbo. A namorada está em liberdade, o Jornal OPAÍS tentou ouvi-la, mas tão logo as amigas se aperceberam da presença da nossa equipa no bairro a orientaram-na a manter- se escondida.