Privilegiados

Já dei comigo num restaurante em que na mesa ao lado um casal bem mangop me fez ganhar o dia, mais ela, de facto, que ao ouvir do empregado de mesa a lista dos pratos do dia, que incluía, entre outros, costeleta e bolonhesa, disse que gostava mesmo é de carne e perguntou se não havia bitoque ou bifana. Ya, fiquei tipo… mas nada a ver comigo, ri só e sozinho, interiormente. Mas foi bandeira, ya! Depois dei comigo numa conversa com uma dondoca cá do sítio, que estava preocupada com o estado do país e recorrentemente dizia que. se “nós, os privilegiados”, isto e aquilo, e aquele outros… Eu que já ando farto de ouvir alguns benguelenses a dizer que são da elite ainda tinha de ouvir uma privilegiada. Está bem, anda de tubarão branco, vive num condomínio que tem cerca eléctrica à volta e viaja muito para e pela Europa. Bolsonaro foi esfaqueado e socorrido, operado e salvo no Brasil, isso para mim é um privilégio, ela, por cada mácula, tem de viajar para se tratar. Em Lisboa esqueço-me da chave na porta do carro e no dia seguinte lá está ela, aqui, tem de fumar os vidros e trancar o carro mal entre nele. Isto é vida de privilegiado? Em Barcelona pode-se virar a noite nas Ramblas e não damos por isso, ela vive com guarda, cerca eléctrica, etc.. Se puder betumar a cara e usar um tecto falso indiano é privilégio, quanto a mim, daria mil para ser mesmo desprivilegiado e viver a liberdade das coisas simples da vida.