Valdemar Bastos e Viriato da Cruz vencem Prémio Nacional de Cultura e Artes 2018

O músico Valdemar Bastos venceu na categoria de Música, enquanto o poeta Viriato da Cruz, sagrou-se a título póstumo na disciplina de Literatura, cuja gala de consagração acontece, a 9 de Novembro, em Luanda.

O júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes procedeu ao anúncio dos vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2018, em que recaem destaques para o músico e compositor Valdemar Bastos, e Viriato da Cruz, a título póstumo na Literatura. A informação foi avançada ontem, 31, pelo presidente da mesa do corpo de jurado do concurso, Vatomene Kukanda, durante uma conferência de imprensa, realizada na sala de reuniões do Ministério da Cultura. Segundo Vatomene Kukanda, o músico venceu nesta categoria pelo facto de as suas obras individuais e colectivas destacarem-se no país e na diáspora, onde está radicado há muitos anos.

O presidente da mesa de jurado disse ainda que as composições e interpretações de Valdemar Bastos por incidirem sobre a música revolucionária, popular urbana e clássica de dimensão nacional e internacional, tendo- lhe valido a outorga de um prémio internacional em segundo lugar, no Internacional Songwriting Competition, com a canção “Sofrimentos”, do álbum “Preta luz”, de 1997, em Los Angeles (Califórnia). Outras distinções Na categoria da Literatura, a título póstumo, venceu o poeta Viriato da Cruz, por tratar-se de um representante da cultura nacional, que exaltou com profundidade a identidade e os valores da angolanidade, assim como a manifestação da esperança em reviverem-se os hábitos e costumes locais, num processo apaixonado para a valorização cultural da nação angolana.

Já categoria das Artes Plásticas, Teatro, Dança, Investigação em Ciências Humanas e Socais e de Cinema e Audiovisuais venceram o gravurista António Feliciano Dias dos Santos (Kidá), o grupo Ngwizane Tuxikane, o professor Sakaneno João de Deus, o historiador Fidel Raúl Carmo Reis e ainda a título póstumo o realizador Misael Filipe de Almeida. O grupo teatral N g w i – zane Tux i kane conquistou o prémio pela peça “Cassinda não volta atrás”, que segundo o presidente da mesa de jurado, deve-se à qualidade técnica, artística e a reflexão apresentada, que desde a sua estreia em 199 continua sendo ovacionada. O programa cultural da TPA “Tudo e Mais” e a instituição Bakama foram os vencedores nas categorias de Jornalismo Cultural e Festividades Culturais. Consta que, Bakama é uma instituição secular, apontada como um dos grandes baluartes na defesa e preservação da afrocacia e angolanidade do povo de Cabinda. A referida instituição através das suas danças, instrumentos, canções folclóricas tem mostrado as novas gerações a necessidade de preservar os vários itens da cultura.

Menção Honrosa

Ainda a título póstumo será atribuída Mensão Honrosa a Almerindo Jaka Jamba, professor, escritor, pedagogo, político e membro da Academia Angolana de Letras, pelos seus feitos ao nível da formação, agregando ao conhecimento osentido da alteridade, respeito e a valorização do povo angolano, enquanto base do desenvolvimento humano e sustentável.

Satisfação

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, aproveitou a ocasião para felicitar o corpo de jurado, por ter associado entre os vencedores, o valor da representatividade, das várias sensibilidades políticas e regionais, avançou que os prémios serão em dinheiro e estão consignados no Orçamento Geral do Estado. “Há verbas disponíveis para o prémio, o problema está relacionado com a disponibilidade por parte do Ministério das Finanças. Estamos a trabalhar e com certeza não será no próprio dia que entregaremos, mas com certeza que receberão”, garantiu a ministra.

Premiação a título póstumo

Quanto aos vencedores a título póstumo, a dirigente da Cultura reafirmou que os mesmos estão previstos no regulamento do Prémio Nacional de Cultura e Artes. Acrescentou, no entanto, que “a medida do possível, com base no plano de acção do ministério, as figuras históricas, os programas de apoio ao desenvolvimento composto por vários projectos, entre eles a reedição e realização de actividades que possam ajudar a informar a nova geração sobre as figuras que muito fizeram pela cultura e as artes do país, e certamente que Viriato da Cruz também terá espaço nestas iniciativas”, concluiu. O prémio constitui uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos, de modo a perpetuar entre os cidadãos ideias tendentes à compreensão das múltiplas formas da criação artística e diversidade das manifestações linguísticas e culturais do povo e da Nação.