Angola participa desde hoje em exercício militar no Golfo da Guiné

A acção é promovida pelas autoridades francesas, em colaboração com o Governo angolano e países do Oeste africano

POR: Iracelma Kaliengue

Um exercício militar multinacional denominado “Grand African Nemo 2018” acontece de hoje, Sábado (3), a 10 de Novembro deste ano, numa acção inserida na parceria operacional no Golfo da Guiné, de que Angola é parte. A acção é promovida pelas autoridades francesas, em colaboração com o Governo angolano e países do Oeste africano. Com base nessa parceria, está atracado desde meados desta semana, no Porto de Luanda, o navio da marinha francesa Mistral.

Neste contexto, o comandante do navio, Vincent Sebastien, concedeu uma conferência de imprensa a bordo, tendo referido que o exercício contará com a participação de 19 países costeiros (incluindo Angola e Cabo Verde), 20 navios e quatro aeronaves. A França participa no exercício com dois navios, dentre os quais o Mistral, com 335 tripulantes. O objectivo principal é o de acompanhar a ascensão das nações africanas participantes no reforço da coordenação do combate à insegurança marítima. Segundo Vincent Sebastien, “no exercício devem participar dois navios franceses, entre os quais o Mistral”. Disse ainda que o exercício consistirá em apoiar as iniciativas do Centro Inter-regional de Coordenação, além de fornecer uma estrutura material ao processo de Yaoundé, que representa a base jurídica e de cooperação entre os estados da região (Golfo da Guiné). Vincent Sebastien considerou de capital importância a cooperação com Angola neste exercício, por considerar Angola um país que dispõe de recursos marítimos valiosos e por dispor também de um centro multinacional de coordenação marítima.

Na conferência de imprensa, o embaixador de França em Angola, Sylvain Itté, explicou que a presença do Mistral em Angola faz parte da política marítima na região e se enquadra no processo de Yaoundé. Para o diplomata, a presença do Mistral em território angolano mostra a importância que o Governo francês confere à cooperação com Angola e às forças armadas, em geral. Sylvain Itté espera que o exercício “Grand African Nemo 2018” reforce a cooperação entre as marinhas de Angola e de França. O Mistral tem 200 metros de comprimento, possui a bordo um hospital com capacidade para mais de 70 camas e dois centros cirúrgicos. O navio da marinha francesa parte de Luanda a 3 de Novembro, data em que inicia o exercício “Grand African Nemo 2018”.

No golfo da Guine desde 1990

No âmbito da “missão Corymbe”, o Mistral está presente no Golfo de Guiné com vários objectivos; combate à pirataria, combate à poluição do meio ambiente, assistência a navios em situação de perigo e socorro marítimo. O Mistral acolhe actualmente, no âmbito da “missão Corymbe”, 36 fuzileiros portugueses que contribuem, junto dos marinheiros franceses, para a defesa e segurança marítima no Golfo de Guiné. A presença a bordo do Mistral de uma tripulação portuguesa revela os fortes laços que unem as Marinhas portuguesa e francesa, inscrevendo- se no quadro mais amplo da Cooperação europeia. Ainda na extensão da “missão Corymbe”, a França tem desde 1990 dois navios presentes no Golfo de Guiné permanentemente. Os seus dois objectivos principais são: contribuir para a diminuição da insegurança marítima e estar disponível para socorrer as comunidades presentes na região. O Mistral, de 200 metros de comprimento, possui a bordo um hospital com capacidade de mais de 70 camas e dois centros cirúrgicos que lhe permitem ir em apoio às populações locais.