Sociólogo desenha um quadro sanitário crítico com a greve dos médicos

A falta de médicos nos próximos dias pode resultar em mortes de pacientes por lhes estarem vedadas as portas dos hospitais. Carlos Conceição espera maior capacidade de negociação por parte do ministério da tutela para se evitar o caos

Texto de: Milton Manaça

O sociólogo Carlos Conceição prevê um quadro sanitário difícil para as famílias que dependem exclusivamente dos hospitais públicos do país, caso a decisão dos médicos de partir para a greve marcada para o dia 19 do corrente mês prevaleça.

Carlos Conceição diz que Angola já apresenta um sistema de Saúde ‘doente’ caracterizado pela falta de medicamentos nas farmácias das unidades, insuficiência de médicos e equipamentos, deixando os hospitais quase em estado de abandono.

“Apesar dos problemas que o sector apresenta, a maioria das famílias dependem dos hospitais públicos e, certamente, assistiremos nos próximos dias fa mílias enormes em hospitais com pacientes à procura de assistência”, disse.

Do ponto de vista do impacto social, Carlos Conceição desenha um quadro preocupante para as famílias que não têm condições de consultarem as clínicas privadas e questiona a capacidade institucional em dar resposta aos problemas e o poder de negociação do Ministério de tutela com o sindicado dos médicos.

Os quadros da Saúde e da Educação, no seu entender, há muito que são relegados para o segundo plano pelo Governo e não têm recebido a devida atenção, tendo visto durante vários anos o Estado a privilegiar outros sectores da sociedade. Segundo ele, os médicos têm legitimidade em partir para a greve, tendo em conta que não têm encontrado resposta às reivindicações que apresentaram para a melhoria do seu trabalho e do bem-estar dos pacientes.

Para o interlocutor, a saúde é um dos sectores-espelho do país e deveria merecer a máxima atenção do Governo. Todavia, no seu ponto de vista, não se tem dado a devida atenção para que se diminua, por exemplo, o índice de mortalidade por malária.

Carlos Conceição espera por uma resposta satisfatória por parte do Governo para que a falta de médicos nos próximos dias não resulte em caos nos hospitais com mortes por falta de atendimento. “Nós temos hoje gestores públicos que fogem dos problemas e não criam estratégias de prevenção para que não aconteça nos próximos tempos”, rematou.