RESEARCH Atlantico: As expectativas sobre o novo governo do Brasil

As eleições culminaram, no dia 28 de Outubro, com a escolha de Jair Messias Bolsonaro como o 38º Presidente da República Federativa do Brasil. A decisão na segunda volta culminou com 55,1% de votos direccionados ao candidato do Partido Social Liberal (PSL), que superou o total de 44,9% destinados ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad. O registo da segunda volta das eleições confirmou a liderança de Jair Bolsonaro apurada na primeira volta, realizada no dia 7 de Outubro, com 46% dos votos destinados ao candidato do PSL, contra 29% do candidato Fernando Haddad

POR: Atlantico

Após a divulgação dos resultados eleitorais, alguns indicadores macroeconómicos têm apresentado registo positivo, com destaque para o índice bolsista brasileiro IBOVESPA que tem apresentado tendência crescente, tendo atingido o nível de 87.423,55 pontos no dia 31 de Outubro, a maior pontuação desde 26 de Fevereiro do ano corrente, quando se fixou em 97.652,64 pontos, a análise do mês revela um incremento bolsista de 11,2%. Por outro lado, percebesse que a moeda do país, o Real (BRL), apresentou uma trajectória de valorização em relação ao dólar no mês de Outubro, ao apreciar 7,3% para 3,724 USD/ BRL, na análise de 1 a 31 do mês referenciado.

O registo dos mercados accionista e cambial poderá reflectir o optimismo dos investidores em relação ao desempenho da economia brasileira com o novo Governo, que perspectiva realizar reformas significativas que abrangem os sectores económico, social e político. As metas do actual presidente terão como principal suporte o futuro Ministro da Fazenda (Finanças), Paulo Guedes, um economista liberal que tem como uma das principais metas, reduzir o tamanho do Estado. A proposta alinha-se com a do actual presidente Jair Bolsonaro, que estima reduzir o número de ministérios de 29 para 15, sendo que, o Ministério das Finanças poderá ser um dos primeiros a ser modificado ao incorporar as funções do Planeamento, da Indústria e do Comércio.

O futuro ‘super-ministro’ das Finanças, Planeamento, Indústria e Comércio apresentou como principais prioridades a “reforma da segurança social”, “reduzir os impostos aos trabalhadores e às empresas”, “privatizar os activos públicos para reduzir o endividamento público” e “realizar cortes nos gastos públicos com a eliminação de privilégios e desperdícios”. A dívida pública poderá fixar-se em 87,3% do PIB no ano corrente, com perspectivas de aumento nos anos seguintes, ao situar-se em 90,2% e 92,7% do PIB em 2019 e 2020, respectivamente, de acordo com os últimos dados sobre a dívida do país divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no World Economic Outlook Database (WEO) de Abril do ano corrente.

O actual Governo tem como um dos principais desafios garantir que se mantenha a trajectória positiva do crescimento da economia, de modos a que não se repitam as recessões de 3,5%, registadas tanto em 2015 quanto em 2016, que reflectem o impacto da crise na cotação internacional das matérias-primas, associada ao impacto da instabilidade política em consequência do desenrolar das investigações sobre os casos de corrupção no Brasil e aos resquícios da crise do subprime de 2008, segundo dados divulgados pelo FMI no WEO de Outubro do ano corrente. As projecções para 2018 e 2019 fixaram-se em 1,4% e 2,4%, respectivamente, que representam revisão em baixa de 0,4 p.p. e 0,1 p.p. em relação à actualização do WEO divulgada em Julho do ano corrente.

No entanto, o controlo da inflação também apresenta-se como um objectivo relevante tendo-se em consideração o objectivo de garantir o poder de compra da população, que se não alcançado poderá representar uma pressão que elimina o benefício da redução da carga fiscal. As perspectivas sobre a inflação têm uma relevância adicional devido ao facto da economia brasileira ter atravessado entre os anos 80 e 90 períodos de hiperinflação, em que a inflação mensal chegou a fixar-se em 80% e a inflação anual uma média de 366,35%.

O FMI estima que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) encerre o ano corrente com variação de 4,2%, que representa um incremento de 1,3 p.p. em relação a 2017, mantendo- se na meta prevista para 2018, de 3% a 6%.O crescimento económico poderá beneficiar de indicadores como a poupança e o investimento que no ano corrente o FMI estima que representem nas economias da América Latina e do Caribe 18% e 20% do PIB, um incremento de 0,1 p.p. e 1 p.p., respectivamente, em relação a 2017, no entanto, as tensões comerciais entre as economias desenvolvidas e as medidas de normalização da política monetária das mesmas, representam pressões em sentido inverso.