Carta do leitor: Uma Luanda diferente

Já houve dias em que depois de um determinado período no estrangeiro, mais concretamente na Europa, sentisse falta da azáfama de Luanda. As imagens das casas, muitas cobertas com chapas de zinco, construídas nas imediações do Aeroporto 4 de Fevereiro, nos mostravam aquilo que para muitos era a Angola real.

A mesma que se completava com o trânsito infernal depois da hora normal de trabalho nas principais avenidas de Luanda, com destaque para a Estrada da Samba, Deolinda Rodrigues, Pedro de Castro Van-Dúnem e a 21 de Janeiro. Eram vendedores por todo o lado. As nossas mamãs zungueiras a calcorrearem as ruas para conseguir o pão para os filhos e outras até que já se tinham apossado das passagens aéreas para também comercializarem os seus produtos. Esta era a Luanda típica.

A Luanda da infância dos nossos filhos ou mesmo a dos pais, que atropelando algumas normas também o alimentavam. Quem saiu à rua ontem, Terça-feira, 6, certamente que se terá deparado com uma cidade capital diferente daquela a que tinha direito a observar todos os dias mesmo sem vontade.

A cidade pareceu mais calma. Não houve a azáfama habitaual das manhãs. Aquela mesmo que chegávamos a sentir falta quando fossemos ao estrangeiro. Duvido mesmo que alguns ainda tenham a percepção de que estejamos a viver num autêntico Congo, à semelhança das práticas que ainda ocorrem neste país e noutros pelo continente africano.

A grande verdade é que a operação Resgate era, sim, necessária. Do mesmo modo que seja também necessário criar condições para que as milhares de pessoas que alimentavam o dito comércio informal tenham a possibilidade de puder sustentar os seus filhos e não se enveredar pela criminalidade, prostituição e outros males.

Samuel Afonso Grafanil,

Luanda