Feitiço, diz o povo

Não quero, mas vou mesmo dizer. O povo, que sabe tudo, a estas coisas chama mesmo feitiço. Oko! Não é por mal, é apenas a incapacidade de entender como as coisas são, de culpar ou mesmo de elogiar. Os médicos resolveram marcar uma greve, num país em que eles já são muito poucos, não chegam nem para um terço das encomendas.

Por: José Kaliengue

Se param, pronto, alguém vai morrer, se calhar não lhes faz diferença. Só pode ser feitiço. Mais ainda quando o Ministério da Saúde até já disse que quer mesmo conversar, que está pronto a sentar-se e pode até levar as cadeiras. Mas há outro feitiço nisto tudo, dos mesmos médicos, que ganham bem pior do que certos camininos e camininas que vemos por aí a fazer nada, tipo os da Sonangol, “Agetés” assessores do Governo, etc..

E também aqueles deputados improdutivos, cheios de regalias. Então, com salários miseráveis e sem condições de trabalho, com hospitais a rebentar, de verdade mesmo e nas paredes, sem assepsia alguma, sem meios de diagnóstico e sem fármacos, cada vida que salvam é mesmo feitiço, só pode ser.

Aliás, com tudo isto, os que aprendem e chegam a ser bons médicos devem ser feiticeiros. Porque os outros ficam só já tipo garimpeiros de almas. No meio da luta do sindicato com o Ministério, ao povo, que não pode auto-medicar-se e nem auto-operar- se nas entranhas, resta esperar por um feitiço qualquer de uma igreja brasileira para se salvar.