“Operação Resgate” “arrasta” ambulantes para o mercado formal em Benguela

Dezenas de vendedores ambulantes foram obrigados a “refugiarse” no mercado Heróis de Moncada, na sequência da denominada “Operação Resgate”, que arrancou ontem em todo o território nacional, visando a reposição da ordem pública

Texto de: Constantino Eduardo, em Benguela

Os vendedores, com idades compreendidas entre 17 e 40 anos, tinham o jardim Heróis de Moncada, no conhecido “Jardim Milionário”, como palco para a realização comercial de Segunda a Segunda-feira. No recinto, vendia-se de tudo um pouco, desde bens alimentares, peças sobressalentes, acessórios de telemóveis, entre outros. Segundo uma fonte policial, a desordem era tanta que se comercializava até estupefaciente, vulgo liamba, para além do consumo que se fazia em pleno centro da “cidade mãe de cidades”.

Acossados pelo “Resgate”, vendedores andam à procura de um lugar no mercado para se poderem acomodar. Flora Cassambo, vendedora de broa há cinco anos, manifestou a sua preocupação em relação a um lugar onde se pudesse ajeitar, causada pela adesão de gente que se registava .

Caso consiguisse, receava que o número de clientes ficasse muito aquém do desejado. Assim como Flora, Avelino Cahamba, vendedor de peças de reposição, mostra-se igualmente receoso com a clientela, louvando, entretanto, a iniciativa, pois há muito que lutava por um lugar no mercado e não conseguia. “Vamos passar a pagar 500 Kwanzas por semana”, revelou.

“Os estrangeiros ocuparam todos os espaços cá do mercado. Pergunto, onde é que nós, angolanos, vamos vender? Eu estou em casa, fiquei sem o meu ganha-pão. O mercado dos “Langas” é no 28, não sei por que é que estão aqui”, reclamou outro cidadão, que não se quis identificar.

Se por um lado encontrámos quem louve a acção dos efectivos da equipa multi-sectorial criada para o efeito pela Delegação Provincial do Ministério do Interior, por outro há quem não a veja com “bons olhos”, por ela lhes ter tirado o pão do “dia-a-dia”, reprovando, por isso, a actuação das autoridades, sustentando que o Governo não acautelou questões essenciais como, por exemplo, a inserção social.

“O Executivo sabe que muitos de nós não temos emprego, mas, mesmo assim, fez essa operação sem arranjar emprego para as pessoas”, lamentou um cidadão que se dedica à venda de acessórios de telemóveis à nossa reportagem.

O jovem critica igualmente a desproporcionalidade de meios da Polícia Nacional. Segundo disse, é desnecessário aquele órgão do Ministério do Interior accionar a brigada canina, a cavalaria e outros meios de que dispõe para a operação.

A Delegação Provincial do MININT, por via do seu porta-voz, superintendente- chefe Pinto Caimbambo, defende-se, argumentando que a Polícia – que mobilizou, para esta empreitada mais de 2 mil efectivos – tem meios orgânicos que devem ser usados quando necessários.

Pinto Caimbambo sugere que as medidas tomadas pelo Governo devem ser encaradas com a devida responsabilidade e respeito por se “saber que as mesmas visam o bem de todos nós”.