Palestra sobre “Línguas Nacionais: Unidade na Diversidade” desperta curiosidades no CEARTE

O workshop marcou a abertura das jornadas comemorativas do 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional, no Complexo de Artes do Camama em Luanda

Texto de: Augusto Nunes

Estudantes de arte, professores e agentes dos diferentes ramos da Polícia Nacional, entre outras entidades, juntaram- se esta Terça-feira, no auditório do Complexo das Escolas de Artes da Camama, em Luanda, para se debruçarem em torno do tema as “Línguas Nacionais: Unidade na Diversidade”.

O colóquio teve como orador o académico, José Pedro, director do Instituto de Línguas, com a moderação da historiadora, Alexandra Aparício, e concentrou-se numa abordagem mais ampla sobre a Situação Linguística em Angola, a Lei das Línguas Nacionais, o Desenvolvimento das Línguas Nacionais, a Caracterização das Línguas Africanas, entre outros ligados à linguística.

Durante a sua exposição, na actividade inserida na jornada comemorativa do Dia da Independência Nacional, a assinalar-se a 11 deste mês, o professor José Pedro recordou que Angola é um país plurilingue, onde coexistem várias línguas nacionais, línguas maternas da maioria da sua população e a língua portuguesa. Referiu que a língua portuguesa foi introduzida em Angola no Século XV pelos primeiros exploradores portugueses e utilizada de início como língua “franca” no tráfico de escravos e no comércio e, em seguida, imposta como língua de civilização pelos colonizadores.

Ao pronunciar-se de forma genérica e abrangente sobre políticas linguísticas, o académico realçou que a multiplicidade de línguas ou multilinguismo, que caracteriza a maioria das sociedades negro- africanas, não constitui barreira alguma na elaboração de uma política linguística. Salientou que onde existir multiplicidade de línguas é frequente as línguas de uma determinada zona serem próximas umas das outras e que os seus sistemas e as suas estruturas sejam as mesmas do ponto de vista da tipicidade. A título de exemplo, referiu-se às línguas Bantu, da qual fazem parte a maioria das línguas nacionais de Angola e, no seu entender, o país necessita de uma política linguística clara que tenha em conta a sua realidade socio- linguística e ponha termo ao desequilíbrio linguístico.

“Há necessidade de se formular estratégias linguísticas que tenham em conta a necessária complementaridade entre a língua portuguesa e as línguas nacionais”, disse o orador, acrescentando que uma política linguística realista e eficaz deve ser formulada numa perspectiva de justiça e de paz, de modo a engajar todos os grupos sócio-culturais numa política de desenvolvimento durável.

Ao questionar, por exemplo, a política linguística que deve ter um país plurilingue como Angola, caracterizada pela coabitação entre o português e as línguas nacionais, José Pedro concluiu que a solução mais lógica e coerente é tendermos para o equilíbrio linguístico.

O prelector sublinhou que, a 24 de Novembro de 1977, Agostinho Neto, no seu discurso visionário sobre a valorização e preservação das línguas nacionais, recordava que “o uso exclusivo da língua portuguesa, como língua veicular, e utilizável actualmente na nossa literatura, não resolveria os nossos problemas, tanto no ensino primário, como provavelmente no médio, e que, segundo ele, seria necessário utilizar as nossas línguas.

Devido à sua diversidade no país, mais tarde ou mais cedo seria aglutinada a alguns dialectos, de modo a facilitar o contacto. Recorde-se que a jornada comemorativa do Dia da Independência Nacional iniciou com uma visita à futura sede do Arquivo Nacional de Angola, no Camama, pelo secretário de Estado da Cultura e das Indústrias Criativas. João Constantino.