A camisa de Bornito

O acto central das comemorações do 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional, este ano, será acolhido pela província do Cunene, como já se sabe. A escolha do local é acertada, até porque levanta a possibilidade de se colocar questionamentos vários. E um deles é, justamente, sobre para o que serve a Independência para as comunidades a que alguns chamam de recônditas. Um conceito muito discutível e fundado apenas na consciência do reduzido alcance do poder e das suas políticas públicas. Cada comunidade, cada localidade deve ser, em si, central. Se os poderes fossem capazes de governar para a felicidade e realização de todos, independentemente da localização geográfica, não teríamos “comunidades recônditas” como temos, com falta de tudo, muitas vezes esquecidas. Por isso mesmo foi bonito ver o vice-presidente da República, Bornito de Sousa, usando uma camisa de tecido delela, na sua visita ao Curoca, um dos municípios mais sofridos do Cunene, com uma seca prolongada de quase dez anos. Com aquela camisa, simbolicamente Bornito centrou o poder no Curoca. É assim que deve ser, ele não deixou de ser vice-presidente da República por estar numa comunidade recôndita, assim como aquela comunidade, e outras muitas deste país, não deve deixar de estar no centro das preocupações e da acção do poder.