Benguelense Paulo Chavonga expõe ‘’Nómada’’ no Brasil: o auto-retrato de um sonhador

A arte através da pintura é a sua forma de expressão desde muito novo e os seus sonhos com ela, nunca tiveram tecto ou limite. Assim, no início da segunda década de vida, o artista plástico benguelense, Paulo Chavonga conquista agora a sua primeira exposição individual no Brasil, na Galeria Olido, em São Paulo. A exposição de “Nómada” terminará neste Domingo, 11 de Novembro.

Em São Paulo, Brasil, todos os que queiram e possam, são convidados a deixarem-se pasmar com o talento de um prodígio das artes chamado Paulo Chavonga, benguelense de ginjeira, com a exposição “Nómada”, na Galeria Olido. Esse harmónico conjunto de 18 telas, dominado por vivas emoções, reais narrações e tons vibrantes, forma plenamente um auto-retrato de um criador que não conhece o impossível no que toca à concretização da sua arte. A exibição tem vindo a agradar “forasteiros” de toda a parte, como tem igualmente deleitado o povo Brasileiro Paulista, que já deu provas de rendição ao génio deste artista da cidade das Acácias Rubras.

Após três meses durante os quais Paulo idealizou, criou e produziu 18 obras espelhadas em telas. A 16 de Outubro abriu finalmente o portal da sua alma ao público, com a inauguração da exposição “Nómada”. A si, que por São Paulo deambula, vá vislumbrar, pois Paulo Chavonga garante deslumbrar com sábio, ágil e comovente uso e manusear do pincel, transmitindo o seu dom, que transcende quem se atreve a sentir. Novamente entrevistado exclusivamente para OPAÍS, o pintor relatou parte dos imensos obstáculos enfrentados e superados quando chegou ao Brasil, mas garantiu ser feliz, sendo este um momento de celebração da sua arte.

Quem não sabe, conheça…

Paulo Chavonga é um talentoso jovem das artes, o seu mundo começou com desenhos detalhistas e aventureiros feitos nos intervalos entre as aulas no ensino base, que os vendia aos colegas, ajudando a mãe. Espírito livre, trabalhou arduamente enquanto adolescente, a pintar, amealhando dinheiro para soltar as asas e voar. Imigrou para o Brasil há um ano. Neste momento, exibe a sua primeira exposição individual além-mar, em São Paulo. A Galeria Olido e Prefeitura de São Paulo encantaram-se com o talento, coragem e ambição artística do jovem que deixou a “terra mãe”, Benguela, quando percebeu que esta não lhe permitiria ser dono da sua arte. “Eu sou nómada!”, afirmou, profundamente grato ao seu “eu de ontem”, incansável sonhador. Pois, tudo de que hoje se orgulha, não o deve a outrem senão a si mesmo, por sonhar, acreditar e realizar.

“Se não nos derruba, torna-nos mais fortes”…

Paulo está longe da família e perdeu o pai, em Benguela, pouco tempo após ter emigrado. No seu guerreiro trajecto, conquistou vitórias, como uma bolsa de estudos no Instituto de Belas Artes de São Paulo (Brasil). Despediu-se de tudo na cidade das Acácias Rubras em Agosto de 2017 e partiu para o Brasil com bagagens e mente recheada de sonhos que sabia que iria concretizar. Hoje, vive a auto-superação de sonhos audazes. Nestes seus anos de entrega ao universo artístico, a mãe nunca lho pediu, mas sempre soube que ela estava desejosa e até mesmo triste, porque o filho querido nunca a havia retratado numa tela. E assim, o pincel ditou, qual varinha mágica, “é chegado o momento”.

Num instante de inspiração, a ideia surgiu e as cores e traços do coração para o pincel fluíram, dando- nos “mãe”, numa tela. Residente no Brasil, sabe que o seu destino é o mundo. Assim, a mente não pára de criar pois tornou-se organizador artístico e graças a isso conseguiu financiamento para custear o seu dia-a-dia. Neste primeiro ano já foi alvo de muito: o dinheiro que levou de Angola acabou, desfez parcerias, ficou sem estúdio e sem casa, sem dinheiro para pagar a renda e adiou a bolsa de estudos. Já ensinou inglês, já deu aulas de pintura, já pintou e vendeu na rua e, há cerca de seis meses, “eu não tinha quadros, nem dinheiro para comprar telas”, então, “escrevi um projecto.” A maquete bem elaborada, “Programa Vai”, que delineou, foi aprovada pela Secretaria Municipal de Cultura, dentre as mais de mil candidaturas que receberam e, foi com esse orçamento que fez tudo o resto. Nesse passo largo no universo da arte, projecto de autoria sua enquanto agente artístico e cultural, une pintura interactiva e teatro no mesmo palco, as ruas.

O artista que ascende…

Desde muito novo que o artista soube o que era, todavia, hoje sabe quem é. Saliente-se que, com apenas 21 anos, soa estranho usar-se a expressão “desde muito novo” pois Paulo Chavonga ainda o é. Mas é um “muito novo” com tanto de experiente que, artisticamente falando, poderia ser considerado “velho”, pela maturidade que representa e com que se apresenta. À pergunta, “Nómada”, oportunidade oferecida ou condições criadas?, Paulo Chavonga respondeu: “criei as condições”, pois, sozinho no Brasil, para atingir os objectivos que tem para o seu presente e futuro, não há outro modo. Em pouco mais de um ano a viver à custa dos seus sonhos, já participou em duas exposições colectivas, sendo “Nómada” a primeira de muitas individuais que irá certamente exibir, abrindo-lhe caminhos para o “SESC”. Com o convite que recebeu e aceitou do “SESC”, Serviço Social do Comércio, após terem visto as telas de “Nómada”, o pintor prodígio Chavonga tem a agenda para meados e finais de Novembro totalmente preenchida. Em suma, nas palavras do artista, “Nómada” “é uma exposição que fala muito mais de mim. Dos lugares onde já passei, das memórias da infância, agora, de metornar adulto forçosamente…”, é o seu auto-retrato em celebração.