Ensino: Estudantes do CEARTE advogam introdução das línguas nacionais na formação artística

A intenção foi manifestada na palestra sobre “Línguas Nacionais: Unidade na Diversidade”, realizada Terça-feira, no Complexo de Artes do Camama, pelo Ministério da Cultura, no âmbito das jornadas comemorativas do 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional

Texto de: Augusto Nunes

Estudantes do maior Complexo de Formação Artística do país (CEARTE) apelaram esta semana, às entidades ligadas ao sector da Cultura, a inserirem no sistema de formação da referida instituição, as línguas nacionais sob pena de virem a ser esquecidas. Preocupados com esta situação, os estudantes afirmaram que não faz sentido o facto de uma instituição de grande dimensão no domínio artístico, ficar limitada apenas à formação em línguas estrangeiras, sem incluir as nacionais, uma vez que a Cultura está também presente na pintura, na dança folclórica e noutras formas de representação. Opinião semelhante foi a do professor José Pedro que apoiou a ideia, destacando a importância das línguas nacionais no domínio da formação artística.

O académico que foi prelector da referida palestra, salientou que, em termos de línguas patrimoniais, as línguas nacionais enquanto suporte e veículos das heranças culturais exigem um tratamento privilegiado, uma vez que constituem um dos fundamentos importantes da identidade cultural do povo angolano. “Não podemos falar de unidade nacional sem realçar o problema da consciência, a de pertença a um mesmo território, a uma Cultura nacional, produto de várias culturas, de vários grupos etnolinguísticos que hoje participam na construção da Nação”, referiu.

O professor apelou à sociedade a combater os discursos que procuram colocar as línguas nacionais como ameaça à unidade nacional, por causa da sua diversidade, uma vez que é possível a unidade na diversidade. Recordou que em 1980, o Instituto de Línguas Nacionais publicou a obra “História sobre a Criação dos Alfabetos em Línguas Nacionais”, que tornou possível esboçar, pela primeira vez, os sistemas fonológicos e projectos de alfabetos da língua Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda e Kwanyama. Referiu ainda que, em 1985, a instituição procedeu à revisão dos referidos sistemas fonológicos e projectos de alfabetos, que culminou com a elaboração de uma brochura intitulada “Esboço”, nunca publicada até aqui.