Governo quer fim do “monopólio” na exploração de eucalipto na Ganda

O Decreto Presidencial nº 79, datado de Setembro de 2015, restringe a exploração de eucalipto à empresa ‘’Estrela da Floresta’’, facto que desagrada a vários madeireiros em Benguela

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O Ministério da Indústria desenvolve, em Benguela, um estudo para futuramente instalar uma nova fábrica de produção de celulose e papel, presumivelmente no Alto Catumbela, município da Ganda, onde se encontra a antiga, encerrada na década de 1990. A ministra da Indústria, Bernarda Martins, diz que a produção de matéria-prima está acautelada na base de um acordo estabelecido com o Fundo Soberano. Segundo apurámos, o Governo quer o fim do monopólio de exploração de eucalipto para a fábrica.

O facto fez a titular do pelouro, Bernarda Martins, deslocar- se ao espaço onde durante muitos anos funcionou uma fábrica de celulose e papel, tendo detectado irregularidades na exploração de eucalipto, matéria- prima para a produção de papel, segundo uma fonte governamental. De acordo com fontes, a governante não encarou com bons olhos o facto de a empresa “Estrela da Madeira” deter o monopólio da exploração da madeira, conforme consagra o Decreto Presidencial nº 79, que restringe a exploração do eucalipto à empresa ‘’Estrela da Floresta’’, participada pelo Fundo Soberano, à data dos factos dirigido por José Filomeno dos Santos.

Os madeireiros em Benguela, excluídos do negócio, consideram que o monopólio está a acabar com a fonte de sustento para centenas de famílias. Para salvaguardar o interesse de outros operadores, que se sentem injustiçados pela medida tomada pelo anterior Governo, a ministra quer, até à próxima semana, no seu Gabinete, os responsáveis da empresa em causa para regularizar o processo, segundo a nossa fonte. Para lá da presumível insatisfação, a responsável daquele departamento ministerial reconhece o trabalho até aqui desenvolvido pela empresa no que respeita à produção de matéria-prima.

A pretensão foi manifestada pela governante numa conversa informal que manteve com alguns dos representantes da empresa, na presença do governador Rui Falcão e do actual presidente do Conselho de Administraçao do Fundo Soberano, Carlos Alberto Lopes, que não prestou declarações à imprensa. Para se pôr fim àquilo que se considera de “injustiça”, continuam as fontes, ter-se-á orientado a Administração da Gana proceder à demarcação do perímetro, de modo a permitir que além da ’Estrela da Floresta’’, outros madeireiros possam igualmente contribuir para os 200 mil hectares necessários. Em declarações à imprensa, antes de ter ido constatar in loco o que passa no Alto Catumbela, a governante afirmou que, para a produção de matéria- prima que vai sustentar a unidade fabril, o sector que dirige estabeleceu um acordo com o fundo soberano.

Entretanto, questionada se o repovoamento do perímetro florestal estará sempre a cargo da “Estrela Floresta”, Bernarda Martins disse apenas que o processo é da competência do Fundo Soberano, reconhecendo que os 2 mil hectares de eucalipto até aqui plantados, que correspondem a 10% dos 200 mil, ficam muito aquém do desejado, tendo em conta a perspectiva de relançamento da produção de papel. Por outro lado, Bernarda Martins, que não revelou o orçamento do projecto, salientou que o Executivo vai canalizar recursos financeiros para que nos próximos 8 a 10 anos Benguela tenha uma nova fábrica de papel em funcionamento.