Protesto por água à porta da EPAL

Eram apenas duas dezenas, mas fizeram-se ouvir o suficiente e arregimentar “apoios” em prol da sua causa. São moradores do bairro Fubu que se dizem injustiçados há 17 anos pela Empresa Pública de Águas de Luanda, EPAL, que mesmo tenho as condutas a passar pelo perímetro, apenas garante o precioso líquido através de um chafariz.

Nesta Quinta, 8, decidiram marchar em direcção a sede da Empresa Pública de Água da província de Luanda. Improvisaram uns quantos cartazes e puseram-se a caminho. Era uma mistura de idosos e jovens, homens e mulheres. Primeiro passaram pela avenida do MAT e, sabendo que num dos condomínios fica o jornal OPAÍS, solicitaram cobertura jornalística, numa altura em que eram abordados por uma patrulha da Polícia Nacional. Diziam-se destemidos, porém cansados das “conversas da EPAL” e que daqui para a frente: “ou parte ou raxa, mas terão de nos dar água”. Contam que há 17 anos ainda estava a ser edificado o bairro Talatona e eles já eram dos primeiros moradores do perímetro.

Aos poucos foram sendo afastados, mais para lá, até “ficarem confinados na actual zona da Fubu, sob promessa de virem a ter um bairro infra-estruturado, com arruamentos, iluminação e água”. Todavia, o que se seguiu foi um calvário. Viram condutas passarem pela sua zona de residência e ouviram promessas de toda a índole sem que nada fosse transformado em realidade. Em vésperas das eleições de 2012, a chama da esperança reacendeu ao verem obras de grande monta na zona e esfregaram as mãos de contentes. “Vimos as condutas a serem feitas pelos chineses e achamos que desta vez teríamos água, cansados que estávamos de comprar cisternas e em bidons”.

Mas tudo não passou de um sonho. Foi então que começaram a reclamar junto da EPAL e a denunciar o garimpo de água disseminado na zona, mas, ainda assim, “não fomos tidos e nem achados. Pensamos que no garimpo que ocorre na Fubu devem estar os próprios funcionários da EPAL. Só assim se entende o que está a acontecer”, desabafa uma das senhoras. Dizem ter escrito cartas para a empresa pública de águas que sempre foram “rejeitadas” na recepção. Em Dezembro do ano passado os moradores afectados promoveram um “abaixo-assinado” cuja cópia exibiam, mas não foi possível verificar a data de entrada na EPAL. “Sempre que viemos aqui com reclamações as pessoas se recusam a assinar”, contaram.

Atendidos à porta

À chegada, o pequeno grupo foi abordado pelos seguranças. Mas entoando o refrão “queremos água” rapidamente chegou “apoio” vindo do sumptuoso edifício cilíndrico em forma de tanque e que serve de sede da EPAL. Primeiro um, depois outro e mais um. Uma pequena equipa de funcionários juntou-se para apurar o que se passava, ao mesmo tempo que se foi juntando uma multidão de curiosos. No bate boca, um dos funcionários apelou por calma na expectativa de introduzir o grupo para o interior do edifício, mas os protestantes se recusaram, alegando que já não esperavam promessas, mas respostas concretas ao seu problema. Ao fim de alguns minutos de “vozes exaltadas” e alguma negociação, finalmente uma pequena comissão acedeu entrar para o interior da sede da EPAL, onde foram recebidos.

Solução à vista

Segundo o porta-vos da EPAL, Vladimir Bernardo, uma comissão integrada por 5 membros, incluindo o soba do bairro, senhor Famoso António, foi recebida pelo director de rede e distribuição da empresa e ao fim de cerca de duas horas de reunião foi encontrada “uma solução para responder à legitima reclamação dos moradores”. Um anel de 3 km, cujo material está já acondicionado, vai ser construído para atender aquela zona rodeada de outras que felizmente já estão contempladas com ligações domiciliares. Quinzenalmente será feito um ponto de situação do andamento dos trabalhos, cujo prazo não foi avançado pelo porta-voz da empresa por “cautela, atendendo a complexidade deste tipo de obras e para que não voltemos a frustrar as expectativas dos cidadãos. Mas faremos o ponto de situação ao jornal OPAÍS”, garantiu o homem que responde pelo departamento de comunicação institucional.