Recapitalização e reestruturação BPC vai permitir optimização de custos

Com injecção de capital, o BPC procura agora ganhar fôlego para competir, em pé de igualdade, com os outros bancos comerciais. Para já, retomou o crédito salário e para o sector produtivo. O banco tem USD 320 milhões para as pescas, indústria e energia e águas.

O maior banco comercial angolano (BPC) está viver actualmente num processo de mudança com vista a implementar o seu plano de recapitalização e reestruturação, bem como reorganizar a área comercial, com o objectivo da optimização de custos, assim como o aumento da produtividade, informou nesta Quinta- feira, em Luanda, o seu PCA, Alcides Safeca. O responsável fez estas declarações durante o encontro de trabalho mantido com os empresários das associações empresariais do sector produtivo, que teve como objectivo a apresentação dos produtos de crédito da linha do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), cujo lançamento aconteceu numa das unidades hoteleiras da cidade capital.

De acordo com o responsável, as mudanças que estão a ser introduzidas prosseguem com os objectivos definidos pela assembleia de accionistas, que incluem a recuperação do crédito malparado, o relançamento da actividade comercial, a estabilidade do banco, o resgate da confiança dos clientes no mercado bancário e no sistema financeiro angolano. Segundo Alcides Safeca, “está a decorrer em simultâneo o processo de redimensionamento da rede comercial, que prevê o encerramento de agências que estavam alocadas em instalações arrendadas e a reabertura de outras que são propriedade do banco”, referiu.

Acrescenta que “o BPC pretende igualmente erguer agências em diversas zonas da província de Luanda que registam significativo crescimento populacional, como Viana e Cacuaco e noutras regiões a nível nacional, visando reduzir os índices de exclusão financeira”, disse. Na ocasião, o PCA do maior banco comercial angolano informou que o plano de recapitalização e reestruturação do BPC foi desenvolvido para transformar os sistemas de informação da firma, que abrange processos, dados, tecnologia e pessoas com o propósito de criar uma plataforma informática integrada que permita um crescimento sustentável, visando alcançar as metas pré-estabelecidas. “Dentro do processo de diversificação da economia, mostramo- nos dispostos para trabalhar com as empresas que estejam empenhadas em produzir bens de primeira necessidade, de modo a reduzir a importação de produtos e a dependência excessiva do país em relação ao exterior”, sublinhou. No final do encontro que juntou mais de 300 empresários, Alcides Safeca disse que a principal preocupação apresentada por esta classe está relacionada com o facto de o banco financiar 80 por cento dos projectos, cabendo aos promotores encontrarem outras formas de buscar os demais recursos. Disse que o Banco tomou boa nota das preocupações apresentadas pelos empresários e vai encontrar uma saída, como a utilização dos títulos do tesouro.

A linha de crédito

A linha de crédito do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai financiar USD 320 milhões e já estão disponíveis USD 120 milhões destinados às pequenas e médias empresas dos sectores da indústria, agropecuária, e energia e águas e pesca. O vice-presidente da Associação Industrial de Angola, José Canjimba, disse ser uma boa iniciativa, mas carece de uma análise na elaboração dos projectos, para que estes tenham êxitos. Na ocasião, alguns empresários defendiam a adesão ao seguro agrícola, por causa do risco existente na actividade agropecuária, outros opinaram que o financiamento do BPC deveria servir para apoiar e melhorar os trabalhos das pequenas e médias empresas já existentes, de modo a melhorar os seus trabalhos.