Eurodeputada Ana Gomes aborda branqueamento de capitais de origem angolana

A conferência sob égide da AJPD, realizada em dois dias em Luanda, juntou especialistas nacionais e estrangeiros. As conclusões produzidas serão conhecidas hoje, no cair do pano do evento.

A eurodeputada socialista Ana Gomes aborda hoje os desafios da União Europeia no combate ao branqueamento de capitais com origem em Angola, e espera-se que venha a destacar o actual papel da UE e de Portugal em termos de ações e omissões. A informação foi adiantada pela Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD) que realiza, desde ontem, em Luanda, a sua 3ª Conferências sobre “corrupção, transparência e boa governação” que decorre no Auditório Cônego Manuel das Neves, na Paróquia de São Paulo, em Luanda.

Ana Gomes, uma figura vista como das mais críticas do consulado de Eduardo dos Santos, disse, num dos seus últimos pronunciamentos sobre Angola, sentir-se traída pelo MPLA, depois de ter ajudado à integração na Internacional Socialista do partido no poder em Angola. Nesta mesma ocasião, no Parlamento Europeu, Ana Gomes revelou ter já existido “tentativas subtis” por parte do MPLA de comprar o seu “silêncio e passividade” em relação aos direitos humanos em Angola. Ontem, a jornalistas, Ana Gomes disse que o combate à corrupção “mudou, claramente, a percepção, não só dos cidadãos angolanos, relativamente à ideia de que a mudança é possível e que os corruptos vão ter que enfrentar a justiça e assumir as suas responsabilidades diante da justiça”.

Entretanto, para além do debate sobre branqueamento de capitais, a conferência conta igualmente com uma mesa redonda a ser animada por Adalberto da Costa Júnior (UNITA) e, Mário Pinto de Andrade (MPLA), à volta do actual momento político, aferindo se os partidos políticos estão preparados para a cultura de prevenção e combate à corrupção. Subordinado ao lema, “Passar dos Discursos a Acção Efetiva: Combate à Corrupção”, ontem foram discutidos, dentre vários temas de interesse ,“O Jornalismo ao Serviço da Democracia e do Estado de Direito”, “Papel da Sociedade Civil e a Imprensa no Combate à Corrupção” e “Criminalidade Económica e Financeira”.

“Queremos reflectir áreas como a Comunicação Social, a Sociedade Civil, os Partidos Políticos, a legislação nacional e internacional existente” explica uma nota da organização, acrescentando pretender com esta acção atestar a capacidade de cada sector para prevenir, combater e punir os actos de corrupção e branqueamento de capitais. A AJPD é uma organização nacional, apartidária, de carácter voluntário, aberta a todos os homens e mulheres de boa vontade. E que pretende contribuir para a participação activa, consciente e responsável de todos os angolanos no processo de consolidação do Estado de Direito Democrático, da paz, desenvolvimento e no reforço do respeito pelos direitos humanos de forma pacífica, respeitando a legalidade democrática.