Centro médico de Kicabo clama por vacina antirrábica

Além dos casos da região, a preocupação da unidade sanitária aumentou depois da recente ocorrência registada no Cazenga, em Luanda, onde um único cão mordeu cinco pessoas, tendo três delas morrido de raiva. Não há falta de outras vacinas.

O responsável da única unidade hospitalar da comuna de Kicabo, município do Dande, província do Bengo, Joselino Fernando, manifestou a OPAÍS o desejo de ver a sua instituição com reservas de vacina antirrábica, para dar resposta aos casos que acontecem na localidade. “Não são muitas as vezes que recebemos pacientes mordidos por cães, mas aparecem no centro e nós só podemos fazer tratamento de alívio, para depois encaminhar ao Hospital Provincial do Bengo, porque, pelo que sei, nem no municipal da açucareira tem condições para haver esse tratamento”, disse o administrador do centro médico, tendo adiantado que a categoria do estabelecimento de saúde que dirige obriga a ter tais serviços disponíveis.

A Joselino Fernando preocupa também o facto de saber das dificuldades que as vítimas de mordedura de cães e familiares passam para se deslocarem da comuna para a sede da província, pois têm de desembolsar mais de dois mil Kwanzas, um valor que exige a contribuição de terceiros, chegando, algumas vezes, a cobrar a comparticipação dos técnicos de saúde local e dos proprietários dos animais. Ao que tudo indica, a inquietação dos munícipes dessa área do Bengo e do entrevistado deste jornal aumentou depois da recente ocorrência no Cazenga, em Luanda, onde um único cão mordeu cinco pessoas, tendo três delas morrido de raiva.

O administrador do centro médico informou que, em reuniões alargadas, ele e a sua equipa têm manifestado às autoridades máximas da Saúde na província a necessidade de haver vacinas do género na comuna de Kicabo. Entretanto, apesar de as respostas serem quase sempre animadoras, dificilmente se concretiza o envio do fármaco para a região. Enquanto isso, a vila fica dependente de campanhas de vacinação a cães, gatos e macacos que o sector provincial leva a cabo nas regiões distantes de Caxito, numa periodicidade que varia de semestral para anual. “Só para citar um exemplo, este ano estiveram aqui no mês de Maio e assim só esperamos mais por essa jornada em 2019”, elucidou, assegurando que dificilmente a vacinação acontecia duas vezes por ano.

Outras vacinações ainda activas

Apesar de se notar a escassez de antirrábicas, o programa de vacinação de rotina dessa unidade hospitalar continua activo, visto que o centro dispõe de reservas suficientes para atender as crianças. O que inquieta, neste capítulo, é a demanda dos pacientes, pois um técnico chega a vacinar mais de 40 infantis durante um período do dia. Detalhando sobre a oferta para os recém-nascidos e outras crianças de idade até um ano e seis meses, Joselino Fernando informou que as vacinas de BCG, para prevenção do recém-nascido contra a tuberculose e a de Hepatite B estão em quantidades consideráveis e são regularmente administradas aos indivíduos de zero mês até meio mês.

“Aos dois meses, temos a responsabilidade de vacinar os petizes contra a Pólio, Pólio 1, Benta 1 e Pneumo 13, bem como contra o Rota Virús, esclareceu ,dizendo que, quando o miúdo atinge meio ano deve repetir as mesmas doses, substituindo apenas a última pela Vitamina A. As vacinas de Febre-amarela, Sarampo e Pólio-sarampo são administradas aos garotos de nove meses, que, passados cinco meses, têm de levar a da Rubéola. Joselino Fernando gabou-se dizendo que desde 2014 que o Programa Alargado de Vacinação (PAV) não se vê interrompido no que toca a esses serviços.

Gastáveis disponíveis

Quem garantiu a existência de materiais gastáveis no centro médico de Kicabo foi a funcionária Paulina Ernesto, que, momentos antes, assegurou que a instituição não tinha problema de seringas, adesivos, ligaduras, algodão e outros fármacos de intervenção rápida, como acontece e se ouve clamar noutros hospitais. Ela deseja que a vacina antirrábica conste no leque de apoios que a direcção provincial tem dedicado ao Kicabo, de modo a terem capacidade de resposta, porque, segundo ela, quando informam os pacientes e familiares que não lhes podem dar esse tratamento, a resposta dos populares é de dúvida e acusação, ao mesmo tempo. “Notamos a insistência da permanência deles aqui dentro, sendo que outros já nos isolaram para se prontificarem a pagar tais vacinas, a ver se nós é que estamos a agir de má-fé”. Desabafou a enfermeira.