Suspensa equipa médica que contaminou VIH a criança de sete anos

O secretário de Estado da Saúde fez saber que a comissão de inquérito que está a trabalhar no processo, em sintonia com a família da vítima, já submeteu o caso às autoridades judiciais, de forma a responsabilizar os culpados pela transfusão de sangue contaminado com VI H a uma menor de sete anos de idade.

Está suspensa a equipa médica que no dia 17 de Outubro efectuou a transfusão de sangue contaminado com VIH à criança de sete anos no Hospital Josina Machel, segundo informações do secretário de Estado para a área da Saúde, Leonardo Inocêncio. Segundo o responsável, a comissão de inquérito que está a trabalhar no processo, em sintonia com a família da vítima, já submeteu o caso às autoridades judiciais do país, de forma a avaliar o que realmente se passou naquele dia. A menina deu entrada ao hospital Maria Pia no dia 10 de Outubro com dores de dentes e uma inflamação na bochecha.

Posteriormente a exames complementares, concluiu-se que a criança também estava com anemia, o que resultou em baixa hemoglobina. De seguida, o pai, sendo do mesmo grupo sanguíneo, no dia 12 predispõe-se a doar sangue. No entanto, apesar de o progenitor ter feito a doação no dia 12, a transfusão viria a acontecer apenas no dia 17, mas com um outro sangue que já estava havia muitos dias no hospital e infectado com o VIH. Leonardo Inocêncio fez saber que, a serem provadas as culpas, caberá depois aos órgãos de justiça proceder à responsabilização criminal de todos os envolvidos. “A equipa foi suspensa por uma medida cautelar.

Diante deste acto e pela gravidade que representa, a equipa necessariamente tinha que ser suspensa. Neste momento todos os envolvidos no processo são passíveis de serem responsabilizados”, avançou. De acordo com secretário de Estado, nesse momento a criança continua sob cuidados médicos, fazendo terapia de profilaxia pós exposição, de forma a estancar a propagação do vírus no organismo. Conforme explicou, ainda é prematuro avançar com algum dado relativamente à situação, porque os resultados definitivos só serão conhecidos daqui a seis meses.

Leonardo Inocêncio disse ainda que, para além de lamentar o sucedido, o Ministério da Saúde está a prestar todo o apoio à criança e à família, de modo a se ultrapassar da melhor forma esta situação que está a chocar o país. Desde que se detectou o erro, houve, frisou, todo um contacto feito para que a criança fosse tratada no exterior. Porém, a falta de registo (civil) da mãe e da criança inviabilizou o processo de transferência. “Temos informações de que a mãe já conseguiu tratar o Bilhete de Identidade. Estamos a contar com o apoio do Ministério da Justiça e do Serviço de Emigração para que mais rápido a progenitora e a criança tenham o passaporte e assim seguirmos com o tratamento no exterior, caso seja possível”, notou. O governante asseguro ainda que a profilaxia pós-exposição é bastante segura e há evidências e provas mundiais de que é capaz de impedir a propagação do vírus, o VIH, caso a pessoa seja submetida a terapia dentro das 24 horas seguintes, como é o caso da criança. “Neste momento ninguém está em condições de dizer que a criança é seropositiva. Mas há a probabilidade, de mais de 90 por cento, de dar negativo. O tratamento continua”, referiu.

Caso isolado

O secretário de Estado pediu igualmente calma à sociedade, de forma a não agitar o processo que, conforme assegurou, decorre da melhor forma. Segundo atestou, este é um caso isolado ao longo dos 135 anos de existência do hospital Josina Machel e do Instituto Nacional do Sangue, pelo que as pessoas podem continuar a frequentar estas duas unidades públicas sem receio. “Podem continuar a frequentar os nossos hospitais, podem continuar a confiar nos nossos médicos que, com muito sacrifício, trabalham em prol da salvação de vidas. O que aconteceu foi um erro. E para isso está a comissão de inquérito a trabalhar para ver a que nível houve falha dentro do processo”, apontou.