Antigo director do SiC na huíla condenado a quatro anos de prisão

Depois de muitas investigações e várias sessões de audiência de julgamento deste mediático caso de desvio de combustível, o Tribunal Provincial da Huíla condenou, na tarde de ontem, o antigo director do Serviço de Investigação Criminal (SIC) na terra da Chela

POR: João Katombela
na Huíla

O julgamento de Alberto Amadeu Gonçalves Suana teve início no passado dia 15 de Outubro, acusado de estar envolvido no desvio de mais de 100 camiões cisternas de combustíveis que se destinavam às centrais térmicas do Lubango. Durante a leitura dos quesitos, o juiz da causa, Marcelino Tyamba, disse que durante as diferentes fases do processo ficou provado de que o Superintendente- chefe, de 61 anos de idade, cometeu o crime de que vinha acusado: peculato. “De tudo o que foi colhido, tanto nos próprios autos, quanto em fase do contraditório e durante o julgamento, nada resta para este tribunal dizer que a acção foi delineada escrupulosamente com a voz de mando do reu Alberto Amadeu Gonçalves Suana”, disse o juiz.

De acordo com o magistrado, Alberto Amadeu Gonçalves Suana terá orientado a venda de 35 mil litros de gasóleo à empresa GALIANGOL, constituída por esta como fiel depositário. O crime de que foi acusado o antigo director do SIC é punível com uma pena que vai entre os 12 a 16 anos de prisão maior. Mas o juiz Marcelino Tyamba condenou o antigo director do SIC na na Huíla, que já se encontrava detido desde o dia 28 de Setembro deste ano, a uma pena de prisão efectiva de quatro anos e ao pagamento de uma indemnização ao Estado avaliada em mais de quatro milhões de Kwanzas. Quando detido preventivamente, o acusado já havia pago uma caução de 3 milhões 240 mil Kwanzas.

“Nestes termos e fundamentos estendidos, os juízes deste tribunal, em nome do povo, decidem em condenar Alberto Amadeu Gonçalves Suana nas seguintes penas parcelares; pelo crime de desvio dos 35 mil litros de gasóleo para empresa GALEANGOL na pena de 3 anos de prisão maior, pelo crime de desvio dos 14 mil litros de gasóleo para a unidade canina e a posterior ordenado a sua venda na pena de dois anos de prisão maior. Em cúmulo jurídico, vai condenado de 4 anos de prisão maior, na taxa da justiça de 80 mil, a título de indemnização a favor do Estado vai condenado a pagar 4 milhões 725 mil kwanzas resultantes do desvio dos 35 mil litros de gasóleo para a GALEANGOL”, sentenciou.

Esposa do antigo director considera injusta a pena aplicada A última audiência foi acompanhada por alguns familiares do ex-director do SIC, Alberto Suana, com destaque para a sua esposa e a sua filha. Aos jornalistas, a esposa do condenado disse tratar-se de uma injustiça, pois, segundo ela, “os verdadeiros ladrões encontram- se soltos pelas ruas da cidade”, revelando que a prisão do seu marido traduz “uma luta entre o Comando Provincial da PN e a direcção do SIC”. “Eu não estou satisfeita e nem concordo com isso, sendo esposa não concordo, porque o meu marido já trabalha na Polícia há 40 anos. Trabalhou em várias missões e nunca roubou nada. Não é com 14 mil litros que vão dizer que ele se quer enriquecer.

Isso é uma injustiça, as pessoas que venderam o combustível estão fora, as pessoas que falsificaram documentos estão fora”, desabafou. Entretanto, os advogados de defesa do antigo responsável mostraram-se insatisfeitos com a decisão tomada pelo Tribunal. E já recorreram com um pedido de recurso ao Tribunal Supremo. No mesmo processo, estavam igualmente a ser julgados os cidadãos Gil Baptista Alves, Américo Tomas Manuel Nobre, Arão manino Elias e Andreia Gizela dos Santos França. Os réus acima mencionados foram condenados a uma pena que vai de um ano de prisão correcional, bem como ao pagamento das respectivas multas individuais e uma indemnização na forma solidária de 2.590.000 Kwanzas.