Cantora Lura regressa com novo visual, apaixonada pela filha e pela vida

Ao oitavo disco, Lura cantou o amor. Dedica-o à sua filha, Nina, cujo nome lhe foi dado em homenagem à sua cantora preferida: Nina Simone. “Quero valorizar o amor”, diz.

‘Quero valorizar esse momento, quero valorizar o amor, porque o amor é algo que queremos viver. Ao longo da vida procuramos o amor. Amar verdadeiramente e sermos amados verdadeiramente é o que nos faz felizes”, disse a cantora cabo- verdiana, em entrevista à agência Lusa, em Cabo-Verde. Lura está diferente. Mudou de visual e substituiu o penteado afro por umas longas tranças.

Mas a verdadeira mudança aconteceu há dois anos, quando nasceu a filha, Nina, um nome que homenageia a sua cantora preferida: Nina Simone. E por isso decidiu que o seu próximo disco será todo dedicado ao amor. “Tem a ver com o facto de ter sido mãe e de ter tido, pela primeira vez, a sensação deste amor incondicional de mãe para filha”, disse à Lusa, confessando que o tema “Nina” foi escrito e cantado num dia de especial aflição, quando não sabia mais o que fazer para acalmar o choro da criança. “Retratei um daqueles momentos de desespero em que não sabia o que fazer, e decidi começar a cantar. Enquanto ela chorava eu cantava e ela acalmava. Estava com os meus sobrinhos que disseram: ‘olha, isso vai dar uma música’.

E acabou tudo em festa”, contou Lura, referindo que “Nina” é apenas um dos cerca de 100 temas que já compôs para a filha. Desta forma, prosseguiu, juntou dois amores. “Já que a música faz parte da minha vida, é algo tão importante para a minha vida, quis dar essa atenção especial à minha filha, falar dela na música e ir ao encontro de duas grandes paixões, duas emoções e sentimentos tão grandes, tão plenos e significativos na minha vida”. “Neste tema começo por dizer que a felicidade está dentro de nós, e é verdade. Podemos ser felizes sozinhos, mas o encontro de outros amores, quer seja de um homem para uma mulher, de uma mãe para uma filha, de irmãos para irmãos, é sempre amor, é sempre o encontro das pessoas, das almas, do ser humano. Viver a humanidade, a cumplicidade das pessoas, é o que procuramos.

É como dizia o poeta: ‘ninguém é feliz sozinho’”. Neste tema, Lura foi audaz e, aos tradicionais sons do funaná, juntou um ritmo electrónico que, no entanto, passa quase despercebido. “Quem ouve, à partida, julga tratar-se de um funaná o mais tradicional possível, porque é um funaná tocado com ferro e gaita, mas tem esta fusão electrónica, que poderá dar uma frescura. É um encontro de duas gerações neste mesmo tema”, disse. Lura confessa que estava muito preocupada por colocar um som mais electrónico na sua música, que “é inspirada na música tradicional cabo-verdiana”. “Mas ainda bem que se consegue sentir a tradição. O lado electrónico provavelmente dará mais frescura e mais modernidade, uma nova cor ao tema”.