“Nova Angola” retratada em arte no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda

A mostra sob coordenação de Alice Beirão, co-curadoria entre o artista Francisco vidal e o produtor Dominick Maia Tanner, intitula- se “Nova Angola” e estará ao dispôr do público até 31 de Dezembro.

Onze obras de pintura compõem a exposição “Nova Angola” do artista luso-angolano, Francisco Vidal, a ser inaugurada Quinta-feira, 22, na Galeria do Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. A mostra celebrando a nova Angola tem na sua origem um gesto de pintura, levando a uma coreografia de movimentos, que conciliam ética com estética, numa composição de cores e formas, dando origem a uma série de padrões que celebram os ´Movimentos Não Alinhados´ ou “NAM”-Non Aligned Movement Patterns, que resultam em retratos de três mulheres angolanas: Uma negra, uma mulata e uma branca, esta última nascida em Luanda. A negra na Europa e a mulata trabalha em Nova Iorque.

A exposição começou a ser preparada em 2014 quando o artista iniciou a série de pinturas a óleo sobre catanas, influenciado directamente pelo confrade moçambicano, Gonçalo Mabunda, pelas suas esculturas com material bélico, assim como pinturas sobre cerâmica, do também artista americano, Julien Schnabel. Francisco Vidal, o autor da exposição referiu que este ano, iniciouse novamente um trabalho sob a necessidade de combater pensamentos, mentalidades e atitudes que possam ir mais além deste tempo. O artista realçou que, lutando por uma poesia fértil, transparente e inteligente, tudo começa com um simples gesto de pintura, que se revela uma arma para combater uma complexa realidade, em prol de uma “Nova Angola”.

curadoria

Já o produtor Dominick A Maia Tanner, em conversa com OPAÍS, considerou o trabalho de Francisco Vidal como um dos poucos exemplos de como uma prática contra-cultural, tornando-se um fenómeno artístico totalmente reconhecido, aceite criticamente e celebrado bastante e popularmente, e não muito diferente da ascensão do hip-hop angolano durante o mesmo período. Salientou que apesar da aparência “não estudada” da narrativa do artista, a mostra reúne na sua arte de forma muito hábil e intencional uma série de tradições, práticas e estilos díspares para criar um tipo único de colagem visual, derivada, em parte, das suas origens urbanas, mas, por outra parte, africanas. Realçou que o trabalho de Francisco Vidal, é um bom exemplo de como os artistas angolanos estão a reintroduzir a figura humana no seu trabalho, após o amplo uso do minimalismo, do conceptualismo, e até mesmo do abstracionismo – estabelecendo assim um diálogo cultural a favor da “Nova Angola”, do novo alinhamento. “Vamos preencher toda a sala de exposições do Memorial Dr. António Agostinho Neto. As técnicas são variadas, mas específicas e à medida do espaço”, concluiu o também curador da exposição.

O artista

Francisco vidal nasceu em Lisboa em 1978. É português, angolano e cabo-verdiano. vive entre Luanda (Angola) e Lisboa (Portugal). É reconhecido pelas suas grandes instalações de pintura, traçando poderosas linhas caligráficas sobre telas de serigrafia, retratando flores de algodão em cores vivas e variados esquemas cromáticos. As flores fazem alusão a uma revolta liderada por trabalhadores agrícolas de uma plantação de algodão portuguesa/ belga em Angola, em 1961. Este evento é considerado a primeira batalha da “Guerra de Independência Angolana”, e forma o centro da reflexão de vidal sobre dissidência política, o espírito da revolução social e o legado do marxismo no contexto do crescimento do mercado e da economia africana nos séculos XX e XXI. vidal concluiu um mestrado em Belas Artes pela Columbia University School of the Arts em Nova York, Estados Unidos da América.