Procurador da Arábia Saudita pede pena de morte a cinco suspeitos no caso de assassinato de Khashoggi

O procurador da Arábia Saudita pediu a pena de morte para cinco (não nomeados) dos 11 suspeitos acusados pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, num caso que prejudicou os laços do reino com importantes aliados ocidentais, disse o seu gabinete nesta quinta-feira.

Khashoggi, um crítico proeminente da política saudita, foi morto no consulado de Istambul em 2 de Outubro, depois de uma luta, com uma dose letal de injecção e o seu corpo desmembrado e retirado do prédio, disse o procurador e porta-voz Shaalan Shaalan aos repórteres. Ele disse que o colunista do Washington Post foi assassinado depois que “negociações” para o seu retorno ao reino falharam e que a pessoa que ordenou o assassinato foi o chefe da equipe de negociação que foi enviada para repatriar Khashoggi.

O paradeiro do corpo de Khashoggi permanece desconhecido, disse ele. O promotor disse a repórteres em Riad que as investigações ainda estavam em andamento para localizar os restos mortais.Riad ofereceu várias explicações contraditórias para o desaparecimento de Khashoggi antes de dizer que ele foi morto numa operação desonesta, num caso que provocou protestos globais, abriu o reino a possíveis sanções e manchou a imagem do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Autoridades turcas acusaram o príncipe Mohammed de ordenar o assassinato, enquanto o presidente Erdogan disse que o assassinato foi ordenado nos “mais altos escalões” do governo saudita.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a responsabilidade final cabe ao príncipe como governante de facto. Ele disse que 11 dos 21 suspeitos foram indiciados e que os seus casos serão encaminhados ao tribunal, enquanto a investigação com os suspeitos restantes continuará para determinar o seu papel no crime. Uma proibição de viagem foi imposta a um dos principais assessores do príncipe, Saud al Qahtani, enquanto prosseguem as investigações sobre o seu papel, disse Shaalan, acrescentando que Qahtani havia encontrado a equipa encarregada de repatriar Kashoggi antes da sua viagem a Istambul para informá- los das actividades do jornalista. Qahtani já foi demitido da corte real.