Turquia diz que não ligará o destino do clérigo norte-americano a Khashoggi

A Turquia descartou qualquer acordo com os Estados Unidos para reduzir a investigação sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi se os EUA expulsarem um clérigo muçulmano que, segundo Ankara, esteve por trás de um golpe fracassado dois anos atrás.

NBC News informou na Quinta- feira que o governo Trump estava a explorar maneiras de repatriar o clérigo Fethullah Gülen e persuadir o presidente Tayyip Erdogan a aliviar a pressão sobre a Arábia Saudita acerca do assassinato. A Casa Branca disse que a história “não é precisa”. Uma alta autoridade turca disse que os problemas da extradição de Gulen, que a Turquia sempre reclamou, e a investigação sobre quem estava por trás do assassinato de Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul, no mês passado, eram questões separadas.

“Em nenhum momento a Turquia se ofereceu para conter a investigação de Khashoggi em troca da extradição de Fethullah Gulen”, disse a autoridade.”Não temos intenção de intervir na investigação Khashoggi em troca de qualquer favor legal ou político.” Erdogan disse que a ordem para o assassinato de Khashoggi veio dos mais altos níveis da liderança saudita. Washington anunciou na Quinta-feira sanções contra os assassinos, tendo como alvo 17 autoridades sauditas, mas não o governo de Riad – um importante aliado econômico e de segurança dos EUA. Alguns comentaristas sauditas apontaram o relatório da NBC como evidência de que a Turquia estava a tentar usar o assassinato de Khashoggi para obter ganhos políticos.