Aconteceu na Sexta- feira a primeira entrevista colectiva de João Lourenço desde que se tornou na escolha do seu partido, o MPLA, para candidato a Presidente da República nas Eleições Gerais 2017. E, na sua voz, ficou a saberse da disponibilidade que o político tem para encontros futuros, incluindo o espaço para falar com profissionais da media estrangeira, o que estende, desde já, uma ponte de absoluta pertinência num tempo em que comunicar bem vale quase tanto como dispor de ideias e planos de governação credíveis.

As últimas quarenta e oito horas foram de digerir o que disse o candidato do MPLA e o que não disse, de dar sentido às palavras com que respondeu às perguntas dos jornalistas e procurar esmiuçar, até ao limite da interpretação do verbo, o pensamento que é, tão só, o do provável Presidente da República nos cinco anos que teremos pela frente.

Está claro que o “tête-a-tête” de João Lourenço com os comunicadores foi de um grande acerto em matéria de timing para a sua realização, consideradas todas as circunstâncias adjacentes.

Uma entrevista colectiva destas, se realizada nos dias imediatos ao do anúncio de que o Vice Presidente tinha sido a escolha do MPLA para suceder José Eduardo dos Santos na chefia do Estado, evidentemente que teria esbarrado com um clima de inevitável condicionamento e as perguntas dos jornalistas mal teriam passado das impressões sobre como o político pensava lidar com o legado político de Dos Santos. Mas realizada na data em que foi, depois de o candidato se ter mostrado em toda a plenitude no rigor de quase uma vintena de comícios em apertados cinco meses, é óbvio que a situação foi, em absoluto, distinta.

Os jornalistas entrevistaram um cidadão de quem sabem, no seu íntimo, que será o (provável) Presidente da República no breve espaço de algumas semanas e isso faz toda a diferença, queira-se ou não. Foi, por todas as razões, um notável exercício com ganhos de parte a parte, para o entrevistado e para os jornalistas.

João Lourenço aproveitou para somar pontos na espiral de crescimento que tem sido a sua bem sucedida caminhada em direcção ao Palácio da Cidade Alta, interagindo com os profissionais da media no mesmo tom cordato com que tem marcado todo o seu processo de comunicação, seja a falar para os milhares concentrados em comícios, seja nos curtos depoimentos que faz quando solicitado, sobretudo na parte final das missões em cada uma das províncias que visitou.

É uma serenidade que conquista empatia, induz credibilidade e aproxima os pólos, o que é essencial na complexa relação entre poder e sociedade. Os jornalistas, estes, terão gostado da experiência, o serem tidos e achados para um momento em que puderam colocar perguntas sobre temas que os seus jornais, rádios e estações de TV gostariam de ver explicados, para prestarem aos seus públicos o serviço que deles se espera.

Muito melhor assim na impossibilidade material de João Lourenço poder conceder entrevistas individuais aos muitos órgãos que, como é natural, o pretenderão numa fase destas. Consumada que está a “colectiva”, agora é concentrar energias e atenção nas Redacções para se continuar de olho em João Lourenço para se aferir o quanto se manterá fiel ao seu pensamento sobre a Angola que quer para o seu governo, se ganhar nas urnas em Agosto próximo. Para já, aprovou com distinção no teste entre a narrativa dos comícios e as explicações aos jornalistas

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