Desde a sua inauguração, cada ano que passa o projecto agrícola Aldeia Nova expande-se para novas áreas. Até Junho do ano em curso a aposta é produzir 7 mil litros de leite/dia, deu a conhecer o director do projecto, Kobi Trisvizki. Avançou que em 2016 foram produzidos 250 mil ovos/dia.

Que balanço faz das actividades realizadas no ano passado?

A empresa terminou 2016 com bons resultados. Em termos de produção de ovos tivemos 250 mil ovos dia. No leite foram 3 mil litros diários. Em 2016 inserimos vários produtos novos, tal como a refeição diária, feijoada, bolos diversos que são feitos pela nossa padaria que é um novo investimento no sentido de aproveitarmos todos os ovos que se partiam na hora da recolha. No que diz respeito à produção de lacticínios também houve investimento, adicionamos outros sabores, nomeadamente manga, pêssego e baunilha. Melhoramos a linha de produção de gelados. Antes vendíamos apenas nas nossas nove lojas e agora expandimos as vendas para as grandes superfícies comerciais de Luanda, refiro-me ao Kero, Shoprite, Nosso Super e outros.

E qual é a principal aposta para este ano?

Este ano a prioridade é apostar na produção de leite com o objectivo de a duplicar até o mês de Junho. Vamos produzir 7 mil litros de leite diários, tendo em conta que em Dezembro passado importamos 200 vacas leiteiras provenientes da África do Sul e povoamos o aldeamento. Neste momento a adicionamos mais uma linha de leite achocolatado com tamanhos diferentes, produto que já está no mercado e tem validade para ser consumido até um ano.

E a produção de ovos também vai aumentar?

Até Dezembro do ano em curso pretendemos alcançar a produção de 400 mil ovos. Temos uma capacidade para aumentar muito mais. Estamos preocupados com a necessidade de se reduzir a importação de ovos. Precisamos ter o controlo de produção como acontece com outros países. As empresas que produzem ovos devem receber quotas e as outras que querem investir no povoamento de galinhas e produzir ovos devem receber licenças e saber quanto cada uma delas deve produzir. Com o aumento da produção interna, seguramente que o preço do ovo conhecerá uma redução considerável, pois haverá muita produção e pouca capacidade de consumo. O Ministério da Agricultura precisa estabelecer quotas para a produção de ovos.

Mas por que que defende que o Ministério da Agricultura deve implementar quotas?

Tendo em conta que aumentou consideravelmente o número de aviários a nível do país. A capital do país conta com 20 aviários, o Cuanza-Sul conta com 12, Benguela com 6, o Bengo igualmente com 6, o Bié 3, Cuando Cubango com 2, Lunda-Sul com 2, Uíge 1, o Cuanza -Norte, Moxico, Lubango, Namibe, Huambo, Zaire, Lunda -Norte, todas com um aviário cada. As regiões que ainda não produzem ovos são Cabinda e Cunene.

A situação económica do país vive repercutiu negativamente nos planos da empresa ou não?

Claro que sim. Tivemos dificuldades na importação de matéria-prima como qualquer indústria, por exemplo, tivemos que utilizar matéria-prima que estava em stock para não interromper a produção. Com a crise económica aprendemos a ampliar a nossa linha para outros produtos. Não ficamos limitados.

Quantos produtos tem a Aldeia nova nesta época?

A empresa conta com mais de 10 produtos diversos no mercado, nomeadamente ovos, refeições, lacticínios, gelados, ração e outros. Este ano agrícola foram trabalhados 1.400 hectares para a plantação de milho e a expectativa é que a colheita feita seja de 8.000 toneladas. Outros 600 hectares foram preenchidos com soja, prevendo-se uma safra de mais de 2.500 toneladas no final da campanha agrícola. Esses números superam de forma muito significativa os da anterior campanha, em que foram colhidos pouco mais de 6.000 toneladas de milho e 1.200 de soja. Vamos plantar 300 hectares de “mileto”, que é milho pequeno. Até Dezembro do ano em curso pretendemos produzir 400 mil ovos. Repito, temos capacidade para aumentar a produção, mas o processo será feito de forma gradual.

Quanto é que a empresa pretende investir no ano em curso?

Todos os anos a empresa faz novos investimentos e este não será diferente. Em 2016 investimos USD 500 mil, valor investido na compra de vacas. Esse ano vamos investir o mesmo valor na fábrica de lacticínios para o aumento da capacidade de produção. Vamos apostar no markenting, nas vendas e em equipamentos de última geração.

Como surgiu a ideia de produzir refeições, bolos e outros produtos?

As refeições são feitas por encomenda. Como já dissemos, a produção de refeições vem dar resposta ao desperdício na produção de ovos e em todo o processo de frangos. A pensar neste aspecto foi criada uma “Fábrica de Refeições” para onde são encaminhadas as galinhas no final do seu círculo de produção. Trata-se de uma unidade moderna e que emprega 25 pessoas, das quais 19 mulheres que preparam a “refeição completa”, a partir de coxas, patas, asas de galinha com arroz, legumes, batata, além de feijoada em lata. Depois de confeccionadas e embaladas em sacos apropriados, as “refeições completas” são encaminhadas para outra unidade, onde são submetidas a um choque térmico de 120 graus para eliminar todo o tipo de micróbios, que eventualmente se instalem nos legumes ou na carne, o que dá uma garantia para consumo de um ano.

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