Entre marés da saudade eterna, nas brumas da música, o homem benzeu as cantatas da sua alma e manducou entre rapsódias da vida. Uma vida já dormida nos vernaculares esteios da alma exilada de um corpo nosso santuário, nublado serenatas de aquosas palavras, silábicas nas madrugas ressoadas de hinos, vozeando dicanzas e poéticos paxi ningongos nas letrias de cores nadrugais.

Eis a dormida ressaca da lua agindungando-se no palatio dos génios, bungulando com a ginga duma chuvosa mamã, erguida na nova lua-cheia das nossas vidas. Essas, rimas loucamente estrofadas e dedilhadas nos chorrilhos de solfejos ruanos, guindando-se entrelunas de velhas kazúas carnavalescas, berridosas entre as bessanganas de um vadio carnaval que santuou o cio das mulembas sentadas nas coxas duma velha nguelú, aquela virtude como as mamãs de novos nzambis e velhos papás agradecidos por uma vida que se erosa nos interrogâncias e dibabelos dos kandengues! Nada se livra daquelas salivadas mágoas cujas águas bentas saquelam o pão dos ricos filhos.

Os chorosos anjos de madrugas mil, a la gardé, sentados nas inkamcas duma nganza lazerada de farras em que a voz se despe diante de másculos sons, desnudados na volúpia que somos nós alfabetizando as distâncias mais órfãs da timidez mbanzelada entre ritmias dessa morte irmã – nossa eterna inquilina dos prazeres inesperados, kinguilando-nos na libidinosa travessia que sempre orgasma a ira das kalemas nossas. E a dor solteira, despida, com a música dormiu, com a poesia nocturna das noroés, a música profanou a karne de pescadores seculares, jovens amantes perdidos nas amorizadas maguêlas da nossa kalema, aquele pesadelo em que a vida se repete nas demoras mais mizangalas dos heróis da kazúa, se renascendo-se a libido do som escravizado por pragas invisíveis.

E somos mesmo os filhos entronizados nos filosóficos diâssus do xinguilanço colectivo, vumunando um velho mar ateu. Com o velho assobio poético das zoinas zuelam-se os cios dos novos zebedeus da paz, cancionando as matutas e as katutas da luz abandonada entrebecos da pândega, colectiva como a dor ressacando os bordões em que somos os mesmos irmãos daquelas lunácias em que a kizomba – qual jura filosofal do museke, ajunta velhos kambas diá kazola para as santuadas inkancas das esperas.

O hino da ausência despe-se dos ébrios kalões da oração mundana, santificando figas kanhotas aos invejados kazumbis que profanaram a luz da morte sozinha, indefesa, ajoelhada nas ponta esquinas do luto em que o vinho da saudade fimba marés as pelenguenhas e as katutas da coragem. É viver na contraluz das tuzas sagradas em que o nosso corpo é a barona das matujâncias em que os kambas bailam as saudades pela boemia . É de sunguinar nas estremosas capelas das idas jingonças, assombradas por margosas puetices, esparramando-se nas palavrantes avenidas do beco em que o kimbanda labrego deslargou as kagunfas da maralha e chorosamente xinguilou de raivada zua.

Com a música dos regressados génios, as brumosas capelas da sabedoria entronizam as tuzas do silêncio em que a Rebita e a Massemba casaram no escuro escuricídio da karne – volteando-se entre vestes do vinho virosacado na lábia de kantantes muzumbus sem hálitos pagãos. Ressuscita-se a dor, senil como as múkuas da nganza geral da maralha em que Óscar Neves e Paulo 9 dimbaram os drogolós daquela festa da Ilha em que a Kianda kizombou com os boióios dos Sêngulas e os marinheiros da kamuxiba, quando uns Jovitos aprenderam a lamar a prendada barona lamirando-se entre lamirés da nova katuta. Não basta arrebitar cachimbo com o velho Kalunga sem fazer fi gas kanhotas nessa poetízia morte sempre viajante, perseguindo os hábitos e os hálitos do óbito em que berridosa, a dor mereceu honras de luz e a música herdou corôas de paz. E nas noroés da saudade eterna, com os seus fi lhos, a nossa música sempre renascerá…

Comentários

comentários