Arrancou ontem a primeira turbina de um dos maiores projectos hidro- eléctricos de África. O Presidente José Eduardo os Santos ligou o botão da turbina que começou a mudar o rosto do país em termos energéticos.

Ontem, na casa de forças do Aproveitamento Hidroelectrico de Laúca, o Presidente José Eduardo dos Santos deu início a uma nova fase da produção eléctrica no país, ao accionar o botão que pôs em funcionamento a primeira turbina daquele projecto, com capacidade de gerar 334 MW de energia eléctrica. O projecto foi concebido no âmbito da Estratégia Nacional de Electricidade, que vem desde 2011, e desenvolvido integrado no Plano Nacional de Desenvolvimento 2013 / 2017. Segundo o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, Laúca foi construída num contexto económico difícil, referindo-se ao período de crise económica e financeira mundial que o país também vive.

Ainda assim, o tempo de construção foi record, 5 anos, muito menos que projectos similares em construção noutros países, alguns mais desenvolvidos que Angola. A electricidade gerada em Laúca será consumida nas províncias de Luanda, Malanje, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul e até ao fim de 2018 chegará às províncias do Bié e do Huambo, e no âmbito da interligação dos sistemas Norte, Centro e Sul pode chegar à província do Zaire.A barragem de Laúca tem 256 metros de altura, o equivalente a um prédio de 52 andares. Outros dados dizem que a albufeira pode acumular 6 milhões de hectolitros cúbicos de água. Dito de outra forma um volume de água que chegaria para encher 2 milhões de piscinas olímpicas.

Este volume de água gerida a partir da albufeira de Capanda (A montante) é, na verdade, a força que fará girar as seis turbinas da central. Em 2018 estas turbinas deverão produzir 2070 MW de energia, o que servirá para o consumo de 8 milhões de pessoas. No acto de inauguração foi dito, num vídeo institucional, que os túneis do empreendimento somam 21 km, o equivalente a extensão de duas ilhas de Luanda (Ilha do Cabo). Para a agricultura, outra valência do projecto, ficam reservados para a irrigação os milhões de hectolitros da albufeira. O turismo e a piscicultura também deverão beneficiar de Laúca. Para o país, o grande benefício vem da redução dos custos de produção eléctrica, em comparação com os de produção em centrais térmicas.

Os 3 milhões de metros cúbicos de betão usados em Laúca dariam para construir 60 estádios como o 11 de Novembro. A água acumulada daria para encher camiões cisternas numa fila que podia estender- se do extremo Norte ao extremo Sul do continente africano.O transporte da energia de Laúca está pensado em 755 quilómetros de linhas de transmissão, que garantirão o consumo por várias províncias. Mão de obra e ecologia 13 mil postos de trabalho directos e 50 mil indirectos foram gerados com a construção de Laúca. Participaram no projecto 130 empresas nas mais diversas actividades.

Na vila de Laúca habitaram no pico da concentração da mão de obra da empreitada 9 mil trabalhadores. Para construir o gigante Laúca foi necessário erguer uma “verdadeira cidade funcional”, havendo nela cinema, explanadas, lojas, cabeleireiro, farmácia. 10 mil exames médicos, consultas e testes laboratoriais foram feitos. 150 licenciados trabalharam no projecto e beneficiaram de 14 programas de formação e consciencialização sobre segurança no trabalho. 200 famílias que viviam na área foram realocadas e integradas em projectos de geração de rendimentos, como a fabricação de sabão e de agricultura familiar. 60 hectares de área foram cultivados com plantas nativas deslocadas e uma vasta área foi repovoada com animais retirados das áreas afectadas.

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