literatura, livroEscritores, académicos, leitores e es­tudantes, testemunharam Segunda-feira última, no Jardim D. Pedro V do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o lançamento da Revis­ta Textos e Pretextos, pela União dos Escritores Angolanos e a instituição anfitriã, CECFLUL.

O volume com o prefácio de Mar­garida Reis, contém entrevistas aos autores Luandino Vieira, Manuel Rui, Pepetela, José Luís Mendonça, Ond­jaki e Carmo Neto, e testemunhos de algumas das mais influentes perso­nalidades do meio intelectual ango­lano como Botelho de Vasconcelos, Amélia Dalomba, António Fonseca, Carlos Ferreira, Fragata de Morais, Isabel Ferreira, João Melo, Lopito Fei­jó, Ana Paula Tavares, entre outros.

Trata-se da 19ª edição, Primavera / Verão 2015, dedicada à Angola, um projecto editorial da UEA enquadra­do nas comemorações dos 40 anos de Independência do país e dos 40 da proclamação da referida associação.

Cinquenta escritores e artistas plásticos colaboram nesta 19ª edição de Textos e Pretextos, representando a sua singularidade e expressão in­dividual, mostrando-nos, através de vários olhares, Angola nas suas dife­rentes dimensões.

Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, ao intervir na cerimónia, referiu na ocasião, que a literatura e os estudos literários continuam a ser para to­dos, partes de um polissistema que confere ao nosso universo um ritmo funcional harmonioso.

Particularizando tal harmonia re­sumiu- a em três categorias: a pri­meira, por se tratar de uma presente edição especial que, pela primeira vez nos seus mais de 10 anos de exis­tência, se debruçar exclusivamente sobre Angola, permitindo a União dos Escritores Angolanos cumprir uma das suas várias funções, neste caso, de promover e divulgar a cultu­ra angolana no interior e no exterior do país pela via da edição e da publi­cação de obras literárias.

O segundo aspecto, reside no fac­to dessa publicação resumir-se num bolo antecipado ao aniversário de Angola e da União dos Escritores An­golanos, que este ano se preparam para comemorar os seus 40 anos da sua independência e da sua criação, respectivamente.

A terceira e última razão não menos importante, a que se referiu Carmo Neto, é que, a cada átomo de suspiro reforçar-se cada vez mais a coopera­ção com o Centro de Estudos Com­paratistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, criando si­nergias para vantagens mútuas.

A título de exemplo, compara as linhas de investigação do Centro de Estudos Comparatistas, sobretudo a análise comparada das literaturas, artes e culturas, os estudos pós-colo­niais, de tradução, de memória, que, dialogando com algumas funções da instituição que representa, pro­movem valores culturais nacionais e conquistas universais; além de fo­mentar a defesa da cultura angolana como património da Nação e estimu­lar os trabalhos tendentes a aprofun­dar o estudo das tradições culturais do povo angolano.

Ao tomarem contacto com a revis­ta, curiosamente, os leitores com­preenderão, que o referido volume não tem a pretensão de ser antológi­co ou de retratar exaustivamente as últimas quatro décadas da literatura angolana.

Os leitores poderão igualmente compreender, através da sua leitura, a relação dicotómica entre Identida­de e Literatura existente, no tema da edição em que intelectuais angolanos dão corpo.

A edição conta ainda com ensaios de Laura Cavalcante Padilha, Manuel Muanza, Pires Laranjeira e Francisco Soares, bem como notas editoriais de Margarida Gil dos Reis, Inocência Mata e Luís Kandjimbo.

Para dar mais sustentação às obras, a Direcção da União dos Escritores Angolanos centrou as suas baterias numa estratégia de edição, divulga­ção, promoção local e internacional da nossa literatura e de vários títulos literários a partir de vários contactos.

Esse conjunto de obrigações, se­gundo Carmo Neto, vai de encontro a valores definidos pelo Centro de Es­tudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vi­sando orientar e desenvolver as suas actividades em torno de três áreas privilegiadas: interculturalidade, es­tudos culturais e literários europeus e intersemioticidade, tendo em conta a inserção cultural e geopolítica da situação portuguesa.

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