Desde logo, Isaias Samakuva será o cabeça de lista. O vice-presidente, de acordo com os estatutos, é indicado pelo presidente do partido e posteriormente deverá passar por uma eleição interna, à semelhança dos restantes candidatos a deputados pelos círculos nacional e provincial.

O presidente da UNITA, Isaias Samakuva, anunciou ontem em Luanda que a lista de candidatos a deputados dos circulos nacional e provincial para as eleições gerais de Agosto próximo deverá ser apresentada em Março. O líder do maior partido da Oposição fez este anúncio numa grande entrevista à cadeia televisiva Zimbo, do grupo Media Nova, que foi emitida também em directo pela Rádio Mais, do mesmo grupo, conduzida pelo jornalista e director Francisco Mendes.

De acordo com Samakuva, de acordo com o regulamento do partido, a lista deverá ser feita por meio de eleições internas. “Nós procuramos implementar os princípios democráticos, não indicamos os nossos candidatos. Eles passam por eleição para que a escolha de candidatos seja uma escolha democrática, não determinada por uma só pessoa que indica este ou aquele, mas que seja feita através de uma consulta aos membros do partido”, frisou. Informou que este processo terá duas fases, sendo uma de eleição de candidatos à lista nacional e a outra para as listas provinciais.

As conferências de eleição dos candidatos às listas de deputados provinciais fazem-se nas províncias pelos comités provinciais e vão ocupar os lugares de acordo com o número de votos que arrecadarem, sendo o que tiver maior numero de votos o cabeça de lista Os cinco primeiros são efectivos e os outro cinco suplentes. A lista nacional opera-se de igual forma. Isaias Samakuva manifestou a sua convicção numa vitória nas proximas eleições, fundamentando- se no facto de que os angolanos apoiam uma mudança de regime nessas eleições e pela aceitação que, a seu ver, granjeiam juntos da população.

“Vamos apresentar-nos com a convicção de que seremos vencedores desta vez, porque queremos colocar Angola na rota do desenvolvimento”, afirmou. Sobre os projectos para o país, defende uma economia de mercado livre em que o sector privado seja o motor do desenvolvimento económico, por considerar que actualmente tudo está centralizado. No plano da saúde, caso chegue ao poder este ano, a UNITA vai criar um Serviço de Saúde de modo a estar mais próximo do cidadão, potenciar a formação de quadros, criar melhores condições de trabalho e remuneratórias. Para si, não é possível que as pessoas estejam a morrer no pais por falta de medicamentos.

No plano da Educação, igualmente além da formação de professores e das condições de trabalho, vai procurar levar a Educação mais próximo das zonas rurais, de modo a evitar que crianças percorram longas distâncias para frequentar a escola. Para o combate às assimetrias, aponta a instituição de Autarquias locais como solução, através da discriminação positiva. De acordo com ele, actualmente as políticas governativas prestam maior atenção às zonas do litoral. Caso ganhe as eleições, é pretensão da UNITA constituir pólos de desenvolvimento regionais.

Disse ainda que a UNITA prevê implementar as autarquias locais já em 2018, caso ganhe o pleito este ano. Quanto à avaliação do processo de preparação das eleições gerais, referiu estar imbuido de irregularidades, tendo em conta que os candidatos a Presidente e vice-presidente do MPLA, João Lourenço e Bornito de Sousa, são actores do processo, na comissão interministerial do processo em que fazem parte o os Ministérios da Defesa Nacional e da Administração do Território. De acordo com Samakuva, o artigo 145 da Constituição refere que “todos os actores integrantes do processo eleitoral são inelegíveis”. “Ou eles deixam de ser candidatos ou cessam as suas funções no Governo.

O processo está a ser conduzido não na base da lei mas na de certos interesses”, frisou. Para si, estas situações mancham o processo que deseja que sejam livres justas e transparentes, sem o qual o partido tomará “medidas adequadas” que, segundo frisou, não passarão pela guerra, nem pela não participação no pleito eleitoral. Quanto à indicação de João Lourenço como cabeça de lista e candidato do MPLA às eleições gerais referiu que não representa nenhuma mudança, mas sim a continuação das mesmas ideias e mesmas políticas do seu antecessor.

Quanto a uma possível coligação eleitoral da Oposição, disse que a UNITA vem envidando um esforço desde 2004 para a constituição de uma plataforma para derrotar o MPLA. “Nestas eleições convidamos os outros partidos ao nível parlamentar para adoptar os mesmas posições, mas à medida que nos aproximamos das eleições o discurso está já a mudar. Segundo as minhas deduções cada um quer ver que lugar vai ocupar no cenário nacional”, frisou, aventando a hipótese de uma coligação pós-eleitoral, já que uma fusão implicaria a alienação de toda a identidade dos partidos coligação, de acordo com a Lei eleitoral.

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