Antigo dirigente político do MPLA concorda com o processo de transição em curso. Aos angolanos disse que na vida é preciso ter paciência e não querer ter tudo de todos ao mesmo tempo

O antigo deputado do MPLA e exprimeiro- ministro, Lopo do Nascimento afirmou, ontem, em Luanda, ser necessário fazer-se a transição, porque em seu entender , “Todo o ser humano deve fazer transição, porque ou faz por sua livre vontade ou é obrigado por Deus”, afirmou quando questionado sobre a transição em curso no seu partido.

Lopo do Nascimento falava a jornalistas, à margem de uma palestra sobre os “Caminhos da Independência”, realizada pelo Comité de Acção do partido nº269 –Ambuíla, do bairro Miramar, na qual fez um enquadramento dos momentos vividos para que o país se tornasse independente, os seus protagonistas e as principais incidências.

Na palestra, Lopo do Nascimento afirmou que os partidos que não têm capacidade de renovação desaparacem.

“Foram criados há muitos anos, há mais de 30 ou 40 anos. Os outros que nós conheciamos de anos anteriores da África francofona esses já não existem. Desapereceram e surgiram novos partidos. Aqui na África Austral continuam os mesmos partidos. Tem havido uma adaptação desses partidos às novas situações, com excepção da Zâmbia cujo partido inicial despareceu.

Os outros vão se aguentando, vão se adaptando, se renovando”, assinalou. Frisou ainda que é preciso renovar, fazer surgir nova gente, novas ideias para dar respostas aos problemas actuais.

“Os problemas do meu tempo já não são de hoje”, enfatizou. Questionado sobre se as figuras indicadas pelo MPLA para as eleições de 2017 na sua opinião reúnem consenso, o político respondeu afirmativamente, mas sublinhou que não sabe se há unanimidade.

“Acho que sim. Não sei. Nem é importante que haja unanimidade porque pela maneira de cada um ser haverá certamente pessoas que estejam de acordo e outras não. São pessoas que recebem um grande apoio, uma grande disponibilidade dos militantes do MPLA.

Por aquilo que eu conhecço do partido acho que sim”, disse. Lopo do Nascimento afirmou ainda que concordava com a indicação de João Lourenço para cabeça de lista do MPLA por ser um militante que fez carreira no partido e ser uma pessoa de diálogo.

“Eu concordo. Porque é um militante do partido fez a sua carreira no partido, é uma pessoa de diálogo. Não é daqueles que quer o posso e mando.

É uma pessoa de diálogo e todos nós que somos militantes do MPLA devemos estar prontos para o apoiar e lutar para que seja o vencedor”, referiu. Indicou que outras figuras como Bornito de Sousa e Fernando da Piedade Dias dos Santos têm arcaboiço para levar o MPLA à

 

vitória nas eleiçoes de 2017, realçando que “ Sim, sim” e “já o demonstraram”. “São pessoas que cresceram e desenvolveram-se no partido. Portanto não cairam das nuvens”, sublinhou.

À uma pergunta de OPAÍS sobre a questão da renovação de que “os partidos que não se renovam desaparecem”, se teme o desaparecimento do MPLA, caso não se renove, respondeu: “Não.

Não estou a falar do MPLA e nem estou a falar de um partido específico. A minha experiência, o meu conhecimento é que os partidos que não se renovam, não só do ponto de vista geracional, mas do ponto de vista das ideias desaparecem.

É o que diz a história. Os partidos que estão no Senegal não são os que estavam há vinte anos no Senegal. Os que estavam há vinte anos desapareceram não souberam renovar-se”, frisou.

Questionado sobre o que desejava dizer aos angolanos, Lopo do Nascimento disse que gostaria de dizer-lhes que na vida é preciso ter paciência e não querer ter tudo de todos ao mesmo tempo. Para si, é preciso ter paciência para se poder dar os passos e saber andar. “Cada coisa ao seu tempo.

Isso não quer dizer que as pessoas devem ficar paradas. As pessoas devem ir para a frente. Mas é preciso não termos pressa, não atropelar os outros ou querer passar à frente”, frisou.

Por outro lado, exortou sobre a necessidade de se aprender a fazer as coisas.

“Hoje fico surpreso. Todos querem ser isto e aquilo, mas ninguém quer aprender a fazer coisas, é preciso aprender. O porteiro tem de aprender a abrir portas. O carpinteiro tem de saber trabalhar com a madeira.

O pintor tem de saber pintar. Os diplomas são importantes mas se não se sabe fazer as coisas, o país não fica na nossa mão”, fundamentou.

 

 

 

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