João Lourenço estreou-se na campanha eleitoral ao ataque, num tom inesperado, mas bem recebido por mais de 200 mil pessoas no Huambo. Houve diálogo, cânticos e lágrimas de um homem normalmente muito contido. O Huambo conquistou-o.

partidoJoão Manuel Gonçalves Lourenço, candidato do MPLA a Presidente da República nas eleições de 23 de Agosto próximo, disse ontem, emocionado, na cidade do Huambo, perante mais de 200 mil pessoas, que quem é verdadeiramente sério não diz que o Governo do MPLA nada fez em Angola, numa clara resposta aos ataques da Oposição nos últimos dias. “É cinismo afirmar que o Governo nada fez”, disse.

E justificou-se. Para sustentar a sua afirmação, socorreu-se de vários exemplos, como o da produção de energia hidroeléctrica, tendo afirmado que aquilo que o sistema colonial construiu e deixou, em 500 anos de ocupação, não passa de brinquedos autênticos, se comparado com o que o Executivo angolano investiu e construiu em quinze anos de paz. Aqui, claramente, o candidato fazia referência às grandes barragens hidroeléctricas de Laúca e Kapanda e ao alteamento de Cambambe, além dos projectos do ciclo combinado do Soyo e à barragem do Ngove, no Huambo, que deverão eliminar, em conjunto, o défice energético no país.

“O tempo do candeeiro a petróleo começa a ficar para trás”, disse o candidato para enfatizar o impacto destas obras na vida das famílias. As vias de comunicação também tiveram referência no discurso de João Lourenço, quando lembrou que até há pouco tempo as ligações entre capitais provinciais apenas eram possíveis por via aérea e que muita gente esperava por “boleias” em aviões militares para chegar a Luanda. Neste capítulo, fez igualmente menção à modernização dos portos para os processos de importação e exportação de produtos. Porém, foi na área da educação que o candidato do MPLA alfinetou a Oposição. “É possível esconder uma escola? Ninguém pode esconder uma escola, dizem que o Governo nada fez mas os seus filhos estudam nessas escolas que o Governo construiu”.

Eleitor vota em quem resolve problemas

Os vários hospitais construídos, centros e postos de saúde, nos últimos 15 anos, o mesmo tempo em que Angola vive em paz, tal como os projectos de captação e distribuição de água em cada província e em cada município, as escolas superiores, os institutos médios e escolas primárias, justificaram a a afirmação de que “os nossos detractores podem dizer que nada fizemos, mas não o conseguem justificar, sustentar”. Para João Lourenço, o MPLA é o único, dos concorrentes às eleições, com obra para mostrar. Falou da recuperação das infra-estruturas, da paz e da reconciliação nacional e do patriotismo. Disse estar preocupado com a empregabilidade dos angolanos, por considerar o emprego como algo sagrado, tal como a habitação, referindo a construção de diversas centralidades como obra do MPLA e exemplo do empenho do Governo na resolução dos problemas do povo.

Combate à corrupção é causa patriótica

Sustentado no lema da sua campanha eleitoral, “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, João Lourenço afirmou-se capaz e com vontade de fazer um combate cerrado à corrupção, para a qual se diz com capacidade e coragem. Porque “se falharmos no combate à corrupção falharemos na organização da nossa economia, que continuará débil, quando precisamos de investimentos como do ar para respirar”. Aqui, Lourenço falava da necessidade de criar-se um bom ambiente de negócios para atrair investimentos e gerar riqueza e empregos. Falou igualmente da necessidade de descentralização dos serviços.

“Quem é verdadeiramente patriota apoia o combate à corrupção, independentemente da sua cor partidária”. O objectivo é criar em Angola uma economia forte, reduzindo igualmente a burocracia. O candidato do MPLA diz ter a certeza de ir vencer o desafio contra a corrupção se merecer o apoio do povo. Citou outras lutas aparentemente impossíveis, como a da Independência. “Os colonos devem ter rido quando nos levantámos com catanas; alguma vez saímos derrotados dos grandes desafios?” Ainda na senda da correcção ao que está mal, socorreu-se dos exemplos dos primeiros carro e bicicleta, feios e pouco eficientes comparando-os com os de hoje, velozes, lindos, rápidos, económicos e confortáveis. “Os produtores destes bens pensaram como nós, foi preciso corrigir o que não estava bem para que houvesse evolução e desenvolvimento”.

Huambo

João Lourenço disse não ter sido por acaso a escolha daquela localidade para o arranque da sua campanha eleitoral. Ele acabara de ter sido interrompido interrompido por cânticos da assistência em seu apoio, um público dialogante e que no início do acto gritara também o nome do governador local, João Baptista Kussumua, este que disse que naquela província já se está a melhorar o que está bem e a corrigir o que está mal citando os investimentos no sector eléctrico, na água e no embelezamento paisagístico das cidades e vilas da província, tal como no saneamento básico.

Militantes dignificam abertura da campanha O membro da Estrutura de Coordenação Central da Campanha do MPLA Jorge Inocêncio Dombolo declarou ontem, à imprensa, que o acto de massas correspondeu às expectativas e a mensagem transmitida por João Lourenço foi bastante profunda, ao incluir aquilo que o MPLA já fez em benefício dos angolanos e o que poderá fazer no quinquénio 2017-2022. O dirigente político revelou que se continuará a transmitir mensagens de esperança num futuro melhor em todas as províncias por onde o cabeça de lista do seu partido às eleições gerais passar e não só. Jorge Dombolo reconheceu ser de suma importância reunir milhares de pessoas nos actos de massas, mas alertou que a preocupação da equipa da qual faz parte está em sensibilizar as pessoas em idade eleitoral a exercerem este direito de escolha.

Esclareceu que foi esta a razão que levou o vice-presidente do MPLA, durante o discurso, a apelar aos militantes, amigos e simpatizantes do seu partido a manifestarem o desejo de tê-los a dirigirem os destinos de Angola nas urnas. Por outro lado, disse que o seu partido tem apelado a todos os cidadãos que estejam vigilantes de modos a denunciarem as pessoas que estão a retirar os dísticos das assembleias de votos porque pode complicar e atrofiar o processo eleitoral.

“Evidentemente que há alguns que querem que isso aconteça, mas nós estamos vigilantes”, declarou. Quanto à possibilidade de existir um número elevado de absentismo, em consequência do extravio de cartões eleitorais, aventada por alguns analistas políticos da nossa praça, Jorge Dombolo disse que os dirigentes do MPLA, nos mais variados níveis, têm advertido aos cidadãos sobre os cuidados que devem ter com o documento “por ser o convite para a grande festa que são as eleições gerais”.

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