Ontem foi o primeiro dia de trabalho de 2017 para muitos funcionários públicos, mas, diferente do que se tem constatado, depois da quadra festiva, houve um fraco fluxo de utentes em muitas instituições públicas. O Jornal OPAÍS fez uma ronda em algumas das instituições e o que não faltou foram os funcionários.

Após a quadra festiva e porque algumas pessoas acusam o cansaço, muitos dos funcionários, tanto públicos quanto privados, arranjaram formas de não aparecer na empresa, ainda mais no primeiro dia de trabalho do ano novo, que, coincidentemente, calhou no primeiro dia da semana, Segunda-feira. O cenário mostrou-se diferente em muitas instituições públicas que visitamos, não porque as repartições estivessem vazias por absentismos dos funcionários, mas por fraca aderência dos utentes. Um ou outro funcionário que tenha faltado, tal ausência não afectou significativamente a equipa para o número de cidadãos que procuraram aqueles serviços neste dia.

No SIAC (Serviço Integrado de Atendimento ao Cidadão) do Talatona, por exemplo, excepto aquelas instituições cujos funcionários tiveram de trabalhar uma hora a mais para cobrir os dias 26 de Dezembro e 2 de Janeiro, todas as secções se mantiveram funcionais, desde a hora normal de expediente, mas com muito poucos utentes em relação aos outros dias. O funcionário Dércio, da área de informações, classificou o dia de ontem como calmo, pelo facto de ser o primeiro dia, já que os meses de Dezembro e Janeiro são os de maior fluxo naquelas instalações, uma vez que é a altura em que muitos se preocupam em preparar o processo para as escolas, viagens, etc.

“Está assim por ser o primeiro dia, senão, Janeiro enche muito. Normalmente às 12h fica um pouco mais cheio. Já estamos no meio das senhas e acredito que até às 14h30 todos serão atendidos, uma vez que são poucos”, disse ele, tendo confirmado que nenhum dos seus colegas faltou ao serviço. Lojas como a da EPAL e da ENSA, por exemplo, encontravam-se encerradas, com a devida comunicação escrita a espelhar o método de trabalho supramencionado. As empresas que não trabalharam naquele regime, os funcionários viram-se obrigados a aparecer no dia 02 apesar da ressaca da festa de passagem de ano.

Aproveitar enquanto está vazio

Enquanto muitos evitaram aparecer nas instituições públicas no primeiro dia de trabalho de 2017, sob alegação de que poderiam não as encontrar abertas, outros utentes aproveitaram este dia para tratar os documentos sem o stress causado pela enchente que normalmente se regista nestes sítios. Madalena Henriques Manuel é uma das utentes que se mostrou satisfeita com a rapidez com que foi atendida, pois fez questão de realçar que é a primeira vez, das muitas vezes que esteve no SIAC, que é atendida em menos de 30 minutos. Escolheu este dia para tratar do cartão de contribuinte, com um certo receio, mas conseguiu fazê-lo em pouco tempo.

“Este mês está a começar bem. Se todas as instituições trabalhassem assim, com esta rapidez, seria bom. Não pensava que hoje, por ser o primeiro dia de trabalho, seria atendida tão rápido”, sublinhou. A 4ª Repartição Fiscal do Talatona esteve aberta e com todos os funcionários presentes, segundo a sua responsável, que não pôde avançar mais dados por alegar falta de autorização escrita por parte de seus superiores. Entretanto, registamos nesta repartição fraco fluxo, porque no pátio apenas havia duas pessoas a aguardar para serem atendidas. Mesmo cenário na administração do município do Kilamba Kiaxi, que apesar de fechar relativamente mais cedo, às 14 horas, quando é sabido que diariamente os serviços públicos terminam às 15h30, não houve muita aderência naquela instituição.

Poucas pessoas dirigiram-se à mesma para tratar de documentos como atestado de residência, por exemplo, que segundo um funcionário é o que mais pedidos regista. “Estamos aqui para trabalhar e a honrar o nosso compromisso com o cidadão”, disse Eulália Dias dos Santos, dos serviços de cartório e notariado, tendo realçado que o primeiro dia de trabalho foi fraco porque normalmente atendem mais de 100 pessoas, enquanto nesse dia, até antes das 12 horas, só tinham atendido ainda 70 cidadãos. Toda sua equipa trabalhou também no dia anterior ao Natal e o cenário foi quase o mesmo: fraca presença de utentes. “Como vê, caro jornalista, estamos todos aqui e o escritório está vazio no que diz respeito à presença de utentes nos nossos serviços. Temos apenas algumas colegas que estão de licença de parto, mas não é por isso que o trabalho está comprometido”, garantiu.

‘Os funcionários apareceram, mas o atendimento está lento’

emissaoQuando chegamos na Administração do Camama encontramos um cenário relativamente diferente no Posto de Emissão de Bilhete, local que muitos cidadãos aconselham a ter muita paciência, dada a enchente e a demora no atendimento. “Os funcionários apareceram, mas estão muito lentos”, reclamou Márcia Aleixo, que disse estar desde as 8h30 e até as 13h não tinha sido atendida. Para ela, parece que muitos tiveram o mesmo pensamento de aparecerem no primeiro dia de trabalho de 2017 para “tratar dos documentos”, assim, quando questionada se estava muito cheio, respondeu que “nem tanto, já estamos acostumados a enchentes. Hoje, está um pouco vazio, mas se não atenderem rápido, daqui a nada vai encher”.

Enquanto conversávamos, saiu um funcionário a pedir para os utentes terem mais paciência, pelo facto de os documentos apresentados carecerem de certos cuidados no processo de avaliação dos dados, para que não incorram no risco de aceitarem documentos falsos. Para Adelaide Cahali, do referido posto, há ainda muitos angolanos com este problema de não trabalhar após a quadra festiva ou levar tempo para sair da ressaca. “O dia seguinte é um dia normal de trabalho, por isso estamos aqui todos para mais um dia. Quanto à demora, os cidadãos devem ser pacientes”, finalizou.

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