Lamento, sei que toda a gente diz que há bom tempo quando o sol se abre num enorme sorriso, quando as nuvens se escondem algures. Quando apetece dar um mergulho no mar, no rio ou numa piscina. Comigo não é totalmente assim. Eu desespero sem chuva, sem névoa, sem um pouco de frio de vez em quando. Lamento, estou no Lubango e estou feliz (e aqui há gente que se diz infeliz, não entendo).

Tem estado a chover todos os dias, acorda-se com uma luz do dia que não agride os olhos, as cores tornam-se perfeitas na sua essência e o tempo passa como um pincel a brincar na tela, mostrando aos poucos os encantos quase femininos do recorte da serra. Nesta terra o amor é um imperativo e quem nela se apaixona sente que morre ao afastar-se.

E tudo tem gosto mais autêntico, porque vem com o aroma da terra, com a suavidade de uma gota de orvalho e com a candura da gente simples. Terei de voltar a Luanda, ao calor, faço questão de aqui deixar o coração, para que possa voltar sempre, em busca das manhãs húmidas e de sorrisos envergonhados. O Lubango tem este encanto, das chuvas. Da Vida, afinal.

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