Diversas vigílias decorreram Segunda-feira em vários países em memória das vítimas do ataque de Domingo a uma mesquita da cidade do Québec, província francófona do Canadá. De Hong Kong a Paris, mas em especial por todo o Canadá, milhares de pessoas juntaram-se em solidariedade à comunidade muçulmana atingida pelo ataque de um militante de extrema-direita franco canadiano.

Seis pessoas morreram, 17 ficaram feridas. O Le journal de Montréal estima que pelo menos 17 crianças ficaram órfãs após este suposto massacre racista e há ainda o pai de outras quatro a lutar pela vida: Saïd El-Amari, um taxista de 38 anos. Um estudante universitário de Ciência Política assumiu a culpa, entregou-se à polícia e está detido.

Alexandre Bissonette é um assumido admirador do novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e um reconhecido defensor das políticas de extrema-direita da candidata presidencial francesa Marine Le Pen. Éric Debrioise, um colega de escola, citado pelo Le Journal de Québec, descreve Bissonette como uma pessoa com ideais políticos “demasiado à direita e ultra-nacionalista de supremacia branca”. “Ele adora Trump e tem um permanente descontentamento contra a esquerda”, acrescenta o colega.

Cerca de meia hora após o ataque mesquita, Bissonette terá ligado para a polícia, assumido a autoria do crime e foi detido. Já presente a uma primeira audiência em tribunal, está acusado de seis crimes de homicídio premeditado e de mais cinco tentativas de homicídio. Deverá voltar a ser ouvido pelo juiz a 21 de Fevereiro.

Milhares de quebequenses concentraram-se, entretanto, junto ao local do crime, cerca de 24 horas após o ataque mortífero descrito pelas autoridades como “terrorista”, e, liderados pelos chefes de Governo nacional, Justin Trudeau, e regional, Philippe Couillard, tentaram dar algum conforto e alento à comunidade muçulmana local. Entre os presentes, uma mulher não identificada afirmou ser “muito difícil” para ela e “para todas as pessoas, muçulmanas ou não”, digerir o que se passou Domingo à noite. “Quando se é capaz de matar alguém, não se é humano. Não pode haver humanidade no coração dessa pessoa”, defende esta manifestante pró-vida.

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