O sistema de ensino da Academia é assegurado, neste momento, por 52 docentes nacionais, formados em Angola, Polónia e Portugal, e perspectiva-se o enquadramento de vários técnicos administrativos e auxiliares de laboratório

O vice-Presidente da República, Manuel Domingos Vicente, inaugura hoje, em Mocâmedes, a Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe, cujas aulas arrancaram em Maio último, com 576 estudantes, repartidos em seis cursos.

A instituição de ensino superior tem 25 salas de aulas, 31 laboratórios equipados com materiais de ponta provenientes da Polónia, o financiador do projecto, 12 residências (do tipo T2 e T3) para os professores e um lar para os estudantes.

Na ocasião, Manuel Vicente, que procederá em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, oferecerá computadores portáteis aos estudantes e aos coordenadores dos cursos e, por outro lado, será brindado com uma “demonstração de salvamento no mar” que será feita na piscina da academia.

Após receber explicações sobre o funcionamento da instituição e os desafios a que a sua direcção se predispõe enfrentar, o vice-Presidente da República e a delegação que o acompanhará, na qual faz parte o embaixador da Polónia em Angola, Piotor Josef Mynhiwiec, fará uma visita guiada pelas salas de aulas e laboratórios.

A academia tem três unidades orgânicas, nomeadamente, a Faculdade de Pesca e Navegação (com os cursos de engenharia mecânica naval e o de navegação), de Tecnologia de Processamento de Pescado (cursos de gestão de tecnologia de processamento de pescado e o de gestão marinha) e a Faculdade de Exploração de Recursos Marinhos (cursos de recursos marinhos e o de aquicultura).

A bióloga Carmen dos Santos, coordenadora da comissão de gestão da referida academia, explicou que a mesma só será oficialmente inaugurada hoje por terem periodizado a abertura de candidatura para provimento das vagas de discentes e docentes.

Para tal, como o ano lectivo já havia arrancado, receberam “autorização especial” do Ministério do Ensino Superior de lhes permitir seleccionar, entre os mais de 5400 candidatos, os 576 que obtiveram melhores notas no ensino médio.

Como não passaram por exames de admissão, fizeram algumas disciplinas que são de reforço. Já os estudantes que se habilitarem a uma das vagas no próximo ano lectivo serão submetidos a exames de admissão.

Aulas asseguradas

O sistema de ensino é assegurado, neste momento, por 52 docentes, entre nacionais, formados em Angola, Polónia e Portugal, e perspectiva-se o enquadramento de vários técnicos administrativos e auxiliares de laboratório, perfazendo um total de 150. Carmen dos Santos disse que almejam recrutar professores de outros países, além dos dois acima referidos, para reforçarem o corpo docente.

Quanto à acomodação dos novos docentes, esclareceu que está acautelado porque as 12 residências são constituídas por suites justamente para albergarem até três professores, sendo um por quarto. A escola tem um edifício apetrechado com vários simuladores que levam os estudantes a estarem em ambientes muito semelhante ao que enfrentarão quando estiverem inseridos no mercado de trabalho.

Entre eles, está um simulador de navegação que recria uma viagem ao pormenor que pode durar até cinco horas, à semelhança do que acontece na vida real. “Este é o nosso ex-líbris. É um avanço tecnológico a nível do ensino das ciências da navegação”, frisou.

A coordenadora anunciou que na terceira fase de construção da academia será erguido um refeitório para os alunos, um centro clínico, campos desportivos e um navio escola. Esclareceu que a concepção, além da componente financeira, recorreu a uma academia similar polaca com quem pretendem estabelecer parceria, que participou desde o início do projecto, com o apetrechamento dos laboratórios até à elaboração da grelha curricular.

Para além de formar quadros angolanos, a instituição pretende albergar estudantes provenientes de países tanto africano como de outros continentes. Baseando-se no facto de o ensino superior funcionar em três pilares fundamentais, designadamente, o ensino, a investigação científica e a extensão, Carmen dos Santos diz estar a implementar um plano estratégico para organizar essas três vertentes. “Há muitas possibilidades nas vertentes da investigação e de extensão.

A primeira permitirá atender as necessidades das empresas do ramo das pescas, em termos de procura de soluções. Na extensão vamos estar em contacto directo com a sociedade, promovendo cursos específicos”, esclareceu. Essas acções formativas terão como público-alvo os habitantes das províncias limítrofes com o Oceano Atlântico, por serem as que têm necessidades imediatas de obter respostas neste sentido.

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