Apesar do abrandamento no crescimento económico, a indústria de bens de consumo africana tem demonstrado resiliência e evoluído positivamente, quando consideradas as moedas locais. A conclusão é da 1ª edição do estudo “African Powers of Consumer Products” da Deloitte.

De acordo com o estudo, que considera apenas empresas sedeadas e cotadas em países africanos, as 50 maiores empresas africanas do sector estão concentradas em 15 países, com a África do Sul, Egipto, Nigéria e Marrocos a contar para 64% do número e 80% das receitas do ranking. Esta concentração espelha a dimensão das economias desses países, o seu grau de desenvolvimento e diversificação e, simultaneamente, o reduzido nível de desenvolvimento do mercado de capitais nos restantes países africanos. Embora o crescimento africano tenha abrandado nos últimos anos, sobretudo devido à contracção do preço das commodities, as perspectivas de crescimento para as empresas deste sector são positivas.

O PIB per capita em paridade de poder de compra na África Subsariana duplicou para USD 3,831 dólares, entre 2000 e 2016. Enquanto alguns países produtores de petróleo registam um decréscimo no investimento, as economias da África Oriental, menos expostas ao mercado das commodities, crescem a taxas iguais ou superiores a 6% por ano. As receitas das 50 maiores empresas decaíram em média, 7,5% em dólares e cresceram 4,7% nas moedas locais, em períodos homólogos.

Quando analisada há cinco anos, entre 2011 e 2015, a média da taxa de crescimento anual composta (CAGR) das 50 maiores empresas é de 3,5% em dólares USD e 12,5% nas moedas locais. “A acentuada desvalorização das moedas dos países africanos face ao dólar americano tornou os bens importados mais dispendiosos, criando oportunidades para os produtores locais aumentarem a sua capacidade de produção e, em consequência, as respectivas quotas de mercado”, afirma Pedro Miguel Silva, Associate Partner e responsável pela área de Retail & Consumer Products da Deloitte em Angola. O estudo da Deloitte refere-se ao desempenho das 50 maiores empresas do sector de bens de consumo africano, no ano fiscal de 2015 (entre Junho de 2015 e Maio de 2016), com base nas receitas em dólares USD. Inclui empresas sediadas em África, cotadas na bolsa de valores africana, cuja actividade principal é a produção de bens de consumo.

Top 10 das empresas de bens de consumo

Embora as empresas sul-africanas e nigerianas dominem o Top 10 em termos de receitas, quando analisadas as margens de lucro, tais empresas deixam de figurar no ranking. As empresas mais rentáveis (margem de lucro mais elevada) localizam-se no Norte de África (4), na África Oriental (4) e na África Ocidental (2). No ano fiscal 2015, 48 das 50 maiores empresas registaram margens de lucro positivas, 16 delas acima dos 10%.

Top 5 de empresas com maior margem de lucro

Os países do Norte de África emergem nesta lista, concentrando algumas das empresas de bens de consumo com o crescimento mais acelerado do Continente (5 no Egipto, 1 em Marrocos e 1 na Tunísia). As restantes três ficam na África do Sul.

As 5 de empresas por taxa de crescimento anual composta

“As perspectivas económicas positivas, a urbanização acelerada, a ascensão da classe média e da população jovem africana, acompanhadas pela melhoria das infra-estruturas e pelos avanços tecnológicos, continuam a motivar o investimento em África das principais empresas multinacionais do sector de bens de consumo. Prevemos um aumento dos investimentos nesta área, uma vez que o continente continua a crescer”, conclui António Veríssimo, Partner e responsável pela área de Consulting da Deloitte em Angola.

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