A garantia é do ministro da Saúde, que esteve de visita àquele município da província do Zaire integrado uma comissão multissectorial. Dentre as várias medidas o governante propõe o reforço da equipa médica no terreno.

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, anunciou Segunda-feira, 9, no município do Soyo, província do Zaire, o reforço de mais médicos, medicamentos e equipamentos para se dar resposta imediata ao surto de cólera que assola a circunscrição. Proximamente serão enviados ao Soyo médicos e medicamentos para travar a propagação do surto de cólera que desde Dezembro já afectou 110 pessoas, provocando seis mortos. A posição foi reiterada pelo ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, no final de uma visita de dois dias ao Soyo.

Na mesma visita participou o ministro das Finanças, Archer Mangueira, tendo sido garantida a disponibilidade do governo para uma dotação orçamental que permita este reforço na prestação de cuidados de saúde no município. Em conferência de imprensa, que serviu de balanço das actividades realizadas pela comissão inter-ministerial ao Soyo, Luís Sambo, reiterou que nos próximos dias o município verá reforçado o número de médicos e técnicos de laboratórios que seguirão de Luanda e Mbanza Congo.

“Constatamos que desde o surgimento da doença algo já foi feito para se controlar a epidemia. Mas é necessário que a nossa capacidade de intervenção seja reforçada com mais técnicos e meios”, reiterou o ministro. De acordo ainda com o titular da Saúde, o nível da doença ainda é controlável porque está por enquanto circunscrita à zona insular do município, daí a necessidade de uma intervenção rápida para se evitar o seu alastramento. “Uma das medidas para se controlar a doença passa também pela prevenção, isto é, as famílias devem reforçar as medidas de higiene pessoal e colectiva, bem como o saneamento do meio”, aconselhou.

Para o ministro, várias epidemias que a província do Zaire já registou têm como epicentro as ilhas da localidade, por serem vulneráveis em condições de higiene, água e saneamento básico. “Portanto, a solução é melhorar as condições de vida das populações residentes nessas ilhas ou então transferi-las para outras localidade onde possam viver em condições favoráveis”, sugeriu. A comissão inter-ministerial que para além do ministro das Finanças, Archer Mangueira, integrou também o Secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, regressou ontem, Terça-feira, 10, a Luanda. As ilhas Kirusso, Mbubu, Nvindi, Kimpula e Libi (zona insular do município) são as mais afectadas pelo surto da cólera, que já causou seis óbitos dos 110 casos diagnosticados desde Novembro do ano transacto. Ao que tudo indica os primeiros casos da doença terão chegado a Angola através da fronteira Norte.

“Gostaria de realçar que as informações que recebemos nas ilhas por nós visitadas dão conta de que os primeiros três casos de cólera foram registados entre cidadãos da RDC. Como sabem essas ilhas partilham limites com as da RDC e, naturalmente, quando acontece situação do género num lado, logo atinge o outro”, sustentou o ministro Luís Gomes Sambo.

A Cólera

Segundo especialistas, a doença geralmente surge em contextos que envolvem superlotação, acesso inadequado à água potavel e deterioração das condições de sanidade do meio. A doença causa diarreia profusa e vômitos, que podem levar à morte por desidratação intensa, por vezes, em questão de horas. ela é uma infecção intestinal aguda causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Habitualmente, nas zonas com condições propícias para o desenvolvimento da epidemia, em épocas de chuva a situação torna- se especialmente problemática com a contaminação das fontes de água e as poças estagnadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há de 1,4 a 4,3 milhões de casos de cólera no mundo, e de 28 mil a 142 mil mortes devido à doença todos os anos.A cólera é causada por uma infecção no intestino pela bactéria Vibrio cholerae. Ela faz com que as células que revestem o intestino produzam uma grande quantidade de fluidos, que causam a diarreia e os vômitos.O contágio ocorre quando há ingestão de alimentos ou água contaminada com as fezes ou o vômito de uma pessoa infectada com a doença.

Histórico da doença no país

A cólera em Angola tem vindo progressivamente a diminuir desde a grande epidemia de 2006, que então provocou 2.773 mortos entre os 69.476 casos registados. A queda acentuou-se no período 2007-2010, quando passou dos 18.390 casos para 1955, com o número de óbitos a decair dos 515, registados em 2007, para 45, em 2010. Em 2011, o número de vítimas voltou a aumentar e os óbitos dispararam: 183 mortos em 2.296 casos, tendo ocorrido uma ligeira descida em 2012, que apresentou 135 óbitos entre os 2.198 casos confirmados.

A taxa de mortalidade da cólera em 2012, período em que ocorreu o último ‘significativo’ surto em algumas províncias do país foi de 6 por cento, inferior à do ano anterior, que tinha sido de 8 por cento. Segundo fontes familiarizadas com o tema, o risco de cólera em Angola é sempre latente. O acesso à água potável é deficiente, as valas de drenagem e esgotos são a céu aberto e não há tratamento das águas residuais. Sendo o saneamento a principal causa de uma epidemia de cólera é fácil concluir que Angola esta propensa a registar surtos desta epidemia.

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