Alegam terem firmado o contrato na ordem dos cem mil Kwanzas, comprometendo-se daí a pagarem uma mensalidade de cinco mil, porém acham que o investimento é infrutífero, por não estarem a beneficiar do produto.

Os habitantes dos bairros Floresta e Mundial, município de Belas, em Luanda, reclamam pelo facto de serem obrigados a pagar regularmente as mensalidades do consumo de energia eléctrica, apesar de lhes ser restringido o abastecimento deste bem por tempo superior a sete dias. “Nós fizemos o contrato com a empresa Electro-Sumbaossoque, a dona do Posto de Transformação (PT) que nos fornece energia, e nos comprometemos pagar 100 mil Kwanzas na subscrição e cinco mil por mês, mas estamos a verificar que não consumimos o produto que pagamos, porque já estamos há mais de uma semana sem energia”, protestaram Genito Quintino e Domingos António, tendo adiantado que era a segunda vez que passavam por essa privação.

Segundo os moradores, no ano passado, quando a corrente eléctrica falhou durante mais de 15 dias, todos os consumidores foram obrigados a pagar a mensalidade na totalidade, sendo que aqueles que se atrasaram a fazê-lo, foram penalizados com cortes ou o pagamento de uma multa de mais dois mil Kwanzas acrescidos ao valor do consumo mensal. As senhoras do referido subúrbio, como são os casos de Francisca e Madalena, deploram o facto de o contratante reagir de forma muito musculada às reclamações dos consumidores, ao ponto de dizer-lhes que a responsabilidade não é sua nem da sua equipa, mas da Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE). As moradoras reconhecem que o bem público pode não estar disponível à população durante algumas horas ou dias, contudo quando ultrapassa o razoável, como acontece actualmente, a empresa contratante tinha de encontrar alternativas que compensassem a situação dos beneficiários, que pode consistir na redução do capital pago.

“A nossa maior preocupação prende-se com os electrodomésticos, principalmente as arcas frigoríficas onde conservamos frescos e demais produtos, que já se estragaram”, lamentaram as queixosas, clamando pela intervenção dos órgãos de direito. Revelaram ainda que, no princípio deste ano, prejuízos do género obrigaram dois vizinhos a pagarem contas dos produtos estragados por falta de energia, no bairro, tendo levado os mesmos à empresa Electro-Sumbaossoque e ameaçado intentar um processo judicial caso não resolvessem a sua situação.

“ Ao se aperceberem que os dois vizinhos entendiam de leis, os funcionários da empresa acalmaram- lhes, prometendo que eles ficariam alguns meses sem pagar a energia, para compensar as perdas”, contaram Madalena e Francisca, acrescentando que o proprietário do PT desrespeitava o direito dos consumidores. Recorde-se que, uma parte considerável dos reclamantes fez o contrato com a Electro-Sumbaossoque há mais de quatro anos, e assegura que, ao invés de serem os consumidores a causarem prejuízos à empresa, tem sido esta a violar o espírito e a letra dos acordos.

Problema da ENDE

Respondendo às reclamações dos consumidores, um funcionário da empresa Electro-Sumbaossoque, identificado apenas por Marcolino, reconheceu que a o apagão já leva mais de uma semana e que a sua empresa já notificou a ENDE para fazer cobro à situação. “A ENDE prometeu-nos resolver o problema na semana passada, mas isto não aconteceu, estamos a espera que o façam pelo menos até Quarta-feira”, disse Marcolino, tendo revelado que a parte do bairro Mundial em que está instalada a sua empresa possui energia eléctrica. Relativamente ao pagamento total, o entrevistado assegurou que, independentemente da privação de energia, a Electro-Sumbaossoque cobra os seus clientes na totalidade, porque a ENDE não tem descontado tais ocorrências na factura da empresa.

“Se dependesse de nós, faríamos os devidos descontos nas contas mensais dos consumidores, mas quando nós vamos pagar à ENDE, eles não descontam os dias sem energia, e então ficamos sem outra solução senão exigir o mesmo aos nossos clientes”, rematou. Finalmente, refutou as informações segundo as quais alguns consumidores já levaram produtos estragados ao escritório da Electro-Sumbaossoque, contudo admitiu que não tem sido fácil atender a manifesta insatisfação dos clientes, que considera justa.

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