Voltaram a abrir a Praia Morena à circulação automóvel até aos fins de semana, em Benguela. Crise de bom senso? Só pode. As nossas zonas balneares são, aliás, claros exemplos de que o problema que estamos com ele não é apenas a crise do petróleo. Temos uma descomunal falta de imaginação. Quando há crise, outros aguçam o engenho, nós limitamo-nos a rezar para que o preço do petróleo suba.

Nem sei como ainda não surgiu uma seita com o petróleo como santo principal. Olhando para a Ilha de Luanda, a marginal de Moçâmedes, a Praia Morena, a Restinga do Lobito, a marginal do Sumbe e tantas outras, praias populares, dá para perceber como administradores municipais e governadores provinciais não percebem nada de gestão de espaços inclusivos. E falam de turismo. É preciso ousar, inovar, inventar e trazer vida às cidades. Devolvê-las às pessoas, não aos automóveis, por muito bonitos e potentes que sejam. Admite-se que a Praia Morena se tenha transformado num gigantesco espaço de lavagem de carros?

Há que descruzar os braços, nas cidades, nas empresas, em tudo. Esta oportunidade crise já a deixamos passar, infelizmente. O petróleo começa a subir, os nossos ricos e governantes pegam nos seus carros e vão a praias exclusivas, para onde não vão autocarros ou candongueiros. E quando estão fora encontrámo-los nas praias de Carcavelos e Cascais, que são praias populares e inclusivas. Será que se perguntam sobre as diferenças?

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