A construção de um viaduto na estrada da UGP e a reabilitação das principais vias no interior do Patriota são outras duas obras que vão facilitar a mobilidade da cidade de Luanda dentro de dois anos.

aguaA Nova Marginal Sudoeste começa a ser construída este mês para facilitar a mobilidade e o tráfego entre o centro da cidade e a área urbana sul de Luanda, numa extensão de cerca de 8 Km, para descongestionar a estrada da Samba e a Avenida 21 de Janeiro. O acto de consignação da empreitada, que terá a duração de 18 meses, aconteceu ontem na praia da Corimba, com a assinatura dos acordos formais entre a Direcção Nacional de Infra- Estruturas Públicas (DNIP) do Ministério da Construção e a empreiteira Chinesa CR20.

Este projecto está enquadrado no Plano Director Metropolitano de Luanda e custará aos cofres do Estado cento e quarenta e dois milhões trezentos e cinquenta e dois mil e seiscentos e noventa e três mil dólares americanos (USD 142.352.693,67). Esta infra-estrutura, a ser construída ao longo do litoral, vai dar continuidade à Nova Marginal de Luanda na Praia do Bispo através da requalificação das áreas actualmente ocupadas por habitações precárias na área a ser intervencionada.

Ao explicar o que vai ser feito em concreto, o director da DNIP, José Paulo Kay, disse que o projecto vai evitar qualquer conflito com a estrada principal da Samba através da construção de um novo viaduto de cerca de 100 metros na conhecida rotunda da Corimba. José Kay disse que, depois de concluída, a via terá duas faixas para cada sentido, valas de drenagem e nfraestruturas integradas e de lazer para além de um espaço que será preservado para futura ampliação das faixas ou implementação do transporte público BRT com a possibilidade de evoluir para os chamados LRT. O Governo pretende valorizar os terrenos situados ao longo de toda a área projectada para a Marginal Sudoeste, de modos a interligar as insfraestruturas do centro e da zona sul da Cidade de Luanda.

Por esta razão, considera fundamental a zona costeira da Corimba, importante para o desenvolvimento urbano da região costeira ocidental. Esta estrutura foi projectada já a contar com a construção da futura marginal da Corimba. O Ministério da Construção quer total garantia de que a Marginal Sudoeste será feita com qualidade, ao que a empreiteira CR20 respondeu ‘sim’. A obra será fiscalizada pela empresa Dar Angola e vai gerar cerca de 2000 empregos.

UGP com um viaduto

No mesmo dia foi feita a consignação da obra para reformulação do nó de ligação da Samba com a avenida Pedro de Castro Van- Dúnen Loy, na designada ‘estrada da UGP’, que estará concluída em Agosto de 2019. A obra consistirá na construção de um viaduto que permitirá a passagem directa de veículos que circulam entre o Benfica e o Golf 2, incluindo uma rotunda para facilitar a mobilidade na circulação com a Estrada da Samba e a Avenida 21 de Janeiro. Para o Lar do Patriota, área pertencente à Administração de Belas, foi assinado um contrato que dotará de infra-estruturas integradas o interior da urbanização para evitar intervenções descoordenadas dos moradores. O total das três obras está avaliada em cerca de 300 milhões dólares americanos.

Governantes exaltam benefícios dos projectos

governosO governador de Luanda, Higino Carneiro, declarou na ocasião que os projectos consignados farão que a província melhore a sua imagem urbana e ganhe melhor mobilidade rodoviária em pouco tempo (dois anos). Já o ministro da Construção, Artur Fortunato, disse que o crescimento desordenado de Luanda nos últimos anos com a ocupação desordenada de terrenos passou a constituir um grande desafio para o Governo. Artur Fortunato ressaltou que os três projectos têm um carácter de complementaridade para o conforto, rapidez e segurança dos utilizadores do corredor sudoeste. O Ministro ressaltou que as obras enquadradas no plano director de Luanda são peças estratégicas no desenvolvimento.

População da Corimba quer realojamento condigno

Luís Neto é morador e nasceu na Corimba há 39 anos. O cidadão congratulou-se com o facto de a sua zona estar a ser requalificada, todavia, mostra-se preocupado com o destino que será dado às famílias cujas residências se encontram na linha do perímetro da Marginal Sudoeste. A pesca é o seu ganha-pão e de muitas familias deste bairro, prática que lhes foi transmititada pelos seus ancestrais, razão pela qual questiona as modalidades a serem usadas para a retirada das pessoas.

Outro morador, Edson Morais, de 30 anos, mostrou igual preocupação acrescentando que espera ver um processo de realojamento diferente dos que foram realizados em diversos bairros de Luanda. “É claro que estamos de acordo com a modernização do nosso bairro. Estamos cientes que algumas casas serão afectadas mas alertamos que é necessário realojar as pessoas em lugares condignos ou fazer-se uma justa indemnização. Sabemos de histórias de outros bairros que não terminaram bem e isso não se pode repetir”, declarou o jovem Edson.

Entretanto, José Kay, director Nacional de Infra-Estruturas Públicas do Ministério da Construção, tranquilizou os moradores referindo que dentro do projecto está contemplado o realojamento dos moradores afectados para uma outra área, que entretanto não especificou, e está previsto um espaço para atracar os barcos dos pescadores que vão permanecer. O responsável disse ainda que na área será construído um mercado para que os naturais da Corimba realizem continuem a desenvolver a sua actividade comercial sem sobressaltos.

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