Durante quatro dias, cerca de três mil delegados, provenientes de todas províncias e do exterior, discutirão os assuntos mais candentes do MPLA e do próprio país. Mas a liderança não está posta em causa, segundo fontes dos próprios camaradas

Quando a 11 de Março deste ano o presidente José Eduardo dos Santos avançou, na reunião ordinária do Comité Central do MPLA, que tomou a decisão de deixar a vida política activa em 2018, alguns analistas acreditaram que a sucessão do líder seria um dos assuntos mais candentes do VII Congresso que esta manhã arranca no Centro de Conferências de Belas.

Na mesma altura, um comunicado deste grupo dos ‘camaradas’ manifestou, claramente, a preferência pela continuidade de José Eduardo dos Santos, que em Novembro de 1974 chegou à direcção do MPLA e seis anos mais tarde assumiu os destinos da maior força política do país.

Por várias ocasiões, os principais responsáveis políticos, assim como as moções saídas dos secretariados provinciais indicavam um único caminho: a continuidade do seu líder. Aliás, esta evolução acabou por desencorajar a tentativa de abertura a outras candidaturas para o encontro que vai decorrer de 17 a 20 deste mês.

Os comunicados finais das duas últimas reuniões do Comité Central fizeram o mesmo percurso. Uma certeza que foi confirmada na apresentação da candidatura, feita pelo vice-presidente do partido, Roberto de Almeida, sentenciando que ‘longe de ser um privilégio, o cargo de presidente do MPLA acarreta um somatório de encargos e responsabilidades que exigem fortes qualidades de liderança, dedicação, inteligência, sentido de conciliação, tolerância e experiência partidária’.

O próprio vice-presidente, que ontem veio à público garantir que a questão da sucessão não seria o ponto alto do encontro, salientara, em nome dos militantes do partido, que todas as qualidades acima mencionadas estão ‘concentradas no cidadão e militante José Eduardo dos Santos e confirmadas na sua notável acção de incansável obreiro da reconstrução, estratega político, diplomata, militar e pacificador da Nação que fazem dele a opção mais acertada para os militantes, simpatizantes e amigos do MPLA’.

Para o congresso, de acordo com fontes da organização, estarão reservadas apenas a discussão da moção do líder, com iniciativas para a saída da crise económico e financeira que o país vive, assim como a estratégia do partido para as eleições gerais de 2017.

A serem realizadas um ano antes do apresentado por José Eduardo dos Santos para se retirar da vida política (as eleições), este timing obrigará, certamente, os ‘camaradas’ a optar por uma estratégia virada para este momento. Sabendo que o timing estabelecido por Dos Santos é para um ano depois do pleito eleitoral, analistas alvitram a hipótese de que os camaradas toquem de forma subtil nesta questão. Para já, de acordo com informações avançadas pelo próprio partido, o Congresso vai analisar, discutir e aprovar o relatório do Comité Central, reajustar os Estatutos do partido, aprovar a moção de estratégia do candidato a líder do partido, eleger o Presidente, o Comité Central, os documentos finais e as moções.

Quanto ao Comité Central, apesar de publicada a lista, o secretário- geral, Julião Mateus Paulo ‘Dino Matrosse’, garantiu que o partido apresentará um novo número 27 na sua composição. O posto esteve vago nos últimos dias, porém, ontem, Terça-feira, 16, o site do partido apresentava o lugar como sendo de Amélia Calumbo Quinta.

Com uma renovação prevista em mais de 40 por cento, entre jovens, com idades até 35 anos, e mulheres, o alargamento do Comité Central de 311 membros para 363 poderá ter reduzido as cifras inicialmente preconizadas. Ainda assim, os responsáveis do partido consideram positivas as mudanças imprimidas, mas, como frisou Luzia Inglês ‘Inga’, ‘somos seres humanos e nem sempre estamos dispostos a aceitar que temos que sair, nem tem que ser, pois para que outros possam entrar, alguém tem que sair’.

Com a situação económica e social como pano de fundo (ler texto na Pág.3), para o Congresso que inicia hoje, o presidente do partido já havia apresentado, em Março último, uma súmula do que pensa sobre o assunto. ‘Já temos uma avaliação preliminar da execução do Plano de Desenvolvimento Económico e Social dos três primeiros anos de mandato e podemos concluir que são positivos os resultados alcançados nos domínios da organização e gestão das finanças públicas, do controlo e gestão da dívida pública, da construção e desenvolvimento das infra-estruturas e da gestão da política social’. ‘

No entanto, ficou muito aquém das metas preconizadas aquilo que definimos para o aumento da produção, da melhoria da gestão das empresas públicas, do funcionamento do sector bancário, do apoio ao empresariado privado angolano e do enquadramento dos recém- formados’, reconheceu o Dos Santos.

Comentários

comentários