Dona Lúcia, 57 anos de idade e funcionária pública diz que vai substituir o tradicional cozido de bacalhau por lambula grelhada no forno. O senhor Castro Sambembe, 74 anos de idade, disse-nos que não terá o seu tradicional copo de vinho à meia-noite depois da missa do Galo, enquanto a menina Lúcia Pedro, 12 anos de idade ainda espera pela chegada do Pai Natal que nos últimos anos sempre lhe ofereceu uma boneca.

Três figuras e uma realidade única no Natal de 2016: a crise mexeu com as pomposas comemorações que sempre marcaram o Natal, um feriado e festival religioso cristão, mas também a grande reunião da família angolana.

Por esta altura do ano a romaria às grandes superfícies comerciais e, ou, aos recintos de distribuição de cabazes dominariam as ultimas horas antes do Dia de Natal, mas a realidade resultante de uma profunda crise que se faz sentir cada vez mais no bolso do cidadão trazem à ribalta uma realidade pouco habitual em Angola.

Dona Lúcia, até à data da nossa conversa ainda não tinha recebido o vencimento correspondente ao mês de Dezembro, enquanto Castro Sambembe, um reformado dos Caminhos-de-ferro de Luanda, não obstante ter recebido o seu complemento, dizia que os parcos rendimentos não permitiam compras pomposas. No meio desta crise apenas a menina Lúcia ainda tinha crença que à qualquer altura o Pai Natal chegaria para lhe entregar o habitual presente.

Quisemos saber quem faz de Papai Noel em casa e Lúcia revelou que habitualmente sãos os seus tios, de ambos os lados, e contou que houve natais em que recebeu mais do que um presente. Interrogada sobre o facto de este ano o presente estar atrasado, a pequena, mesmo na sua inocência, tinha noção de que algo anormal chamada “crise” estava a acontecer, pelo que não levaria a mal se os tios não pudessem oferecer-lhe nada este ano.

Entretanto, a menina Lúcia não tem culpa de esperar pelo presente. Costumes populares modernos, típicos do feriado, incluem a troca de presentes, a Ceia de Natal, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal.

Além disso, o Pai Natal é uma figura mitológica popular em muitos países, associada aos presentes para crianças.

A festa tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas. O impacto económico da comemoração é um factor que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo.

Originalmente destinada a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno, a festividade foi ressignificada pela Igreja Católica aproximadamente no século III, para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano. No presente, os religiosos continuam a criticar o cada vez maior desvirtuar do Natal, que aos poucos passa para uma festa mercantil. Para os crentes, o Natal é, antes de tudo, solidariedade e partilha.

Origem do Natal

O Natal é uma data em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Consta que na antiguidade era comemorado em datas diferentes, pois não se sabia com exactidão a data do nascimento do Messias.

Terá sido somente no século IV que o 25 de Dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração, partindo do pressuposto de que na Roma Antiga, o 25 de Dezembro era a data em que os nativos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste facto com a oficialização da comemoração do Natal.

As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três Reis Magos chegarem até a cidade de Belém e oferecerem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus.

Actualmente, as pessoas costumam montar as árvores e outras decorações natalinas no começo de Dezembro e desmontálas até 12 dias após o Natal. Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância, pois marca o ano 1 da nossa História.

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