Chefe de Assuntos Humanitários pede recursos para Iêmen, Sudão do Sul, Nigéria e Somália.

O secretário geral adjunto para Assuntos Humanitários e Emergências, Stephen O’Brien, alertou na passada Sexta-feira que o mundo está sofrendo a maior crise humanitária nos mais de 70 anos de história da instituição, citado pelo jornal El País. No mesmo dia, um relatório da ONU denunciava que dezenas de milhares de famílias precisaram abandonar o Iêmen devido ao recrudescimento da violência, e outro acusava a Turquia de “graves violações” no conflito curdo, que já levou meio milhão de pessoas a fugirem dos seus lares.

Dois dias antes, o secretário geral Antonio Guterres fazia uma visita de emergência à Somália, afectada por uma grave seca que deixou ao país no limiar de uma epidemia de fome. “Estamos num ponto crítico da história. Já no começo do ano estamos enfrentando a maior crise humanitária desde a criação das Nações Unidas. Há mais de 20 milhões de pessoas em quatro países que sofrem de inanição. Sem esforços globais e coordenados, morrerão de fome”, disse O’Brien ao Conselho de Segurança da ONU, onde falou sobre as missões no Iêmen, Sudão do Sul, Somália e Quênia. Dois terços da população iemenita – quase 19 milhões de pessoas – precisam de algum tipo de ajuda, e sete milhões estão passando fome e não sabem quando voltarão a comer, conforme relatou o secretário geral-adjunto.

Ele ressaltou a rapidez com que a crise vem devastando a população: em Janeiro, a crise já havia feito a população do país reduzir-se em três milhões. Serão necessários 2,1 bilhões de dólares neste ano para ajudar 12 milhões de pessoas e, até agora, o valor arrecadado foi de apenas 6%. O Iêmen é o caso mais difícil. Mas, no Sudão do Sul, mais de 7,5 milhões de pessoas precisam de ajuda, e 3,4 milhões estão desabrigadas. Na Somália são 6,2 milhões de pessoas carentes de proteção humanitária, e no nordeste da Nigéria é necessária uma injeção de recursos imediata para evitar uma catástrofe, de acordo com o El País. Ao todo, “precisamos de 4,4 bilhões de dólares até julho, e esta cifra é o custo detalhado, não uma cifra negociável”, disse O’Brien ao Conselho de Segurança, um órgão no qual os grandes membros permanentes – Estados Unidos, França, Rússia, China e Reino Unido – estão envolvidos em vários conflitos. Em 28 de Fevereiro a Rússia e a China vetaram uma resolução com sanções à Síria pelo uso de armas químicas, um assunto que, apesar das discrepâncias na crise síria, deveria ser consensual.

O El País escreve que as desavenças entre as grandes potências não contribuem para a obtenção dos recursos, enquanto as controvérsias na política externa e na ajuda internacional antevistas para os EUA, maior economia do mundo, contribuem para a incerteza. O dirigente humanitário da ONU foi taxativo nesta Sexta-feira. “Necessitamos que a comunidade internacional e este Conselho ajam rapidamente nos factores que causam a fome” e forneçam a tais países o apoio financeiro necessário “no prazo adequado”

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