O preço do barril de petróleo tipo Brent, referência das ramas angolanas, atingiu, esta Terça-feira, o seu valor mínimo desde o final de Novembro do ano passado, quando a OPEP (a Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e 11 produtores que se lhe juntaram fixaram uma meta para o corte da produção mundial em 1,8 milhões de barris por dia.

No mercado de Londres o barril de Brent chegou a atingir, ao longo da sessão de Terça-feira o preço de USD 50, 25, um valor que se situa muito abaixo do objectivo pretendido pelos 24 produtores que assinaram, no final de Novembro, um acordo histórico de limitação da oferta da matéria- prima, para assim reduzir os stocks excessivos e conduzir o preço do barril de crude para preços, pelo menos, superiores a USD 55. Aparentemente a estratégia estava a dar certo, os preços chegaram aos USD 57 e muitos factores indicavam que poderia instalar-se, na média deste ano, próximo do patamar de USD 60.

Acontece que, em menos de dez dias, o preço do barril caiu de USD 57 para pouco mais de USD 51. Os países produtores estavam a procurar adaptar-se a uma nova realidade marcada já não por preços da mercadoria na casa dos USD 100, mas pela estabilização de um nível superior a USD 55. Ainda a semana passada, a presidente da Sonangol, Isabel dos Santos, disse, nos Estados Unidos, que a diminuição dos custos médios de produção em Angola, o país já conseguiria acomodar preços do barril de petróleo à volta de US ra efeitos de tributação pelo Ministério das Finanças, o preço do barril de exportação superou finalmente os USD 50, situando- se em USD 52,11, um preço que reflecte os efeitos dos acordos respeitantes aos cortes de produção sobre o valor da exportação de crude nacional, o qual, por estimativa, se situa em geral entre USD 2 e USD 3 abaixo do preço de referência do Brent.

O preço de USD 50 não constitui uma ameaça para a execução orçamental, que tem, prudentemente, como sinal de navegação um preço médio estimado para o ano uns furos abaixo disso, mas coloca necessariamente constrangimentos à indústria petrolífera, reduz o afluxo de divisas e reduz a receita. Em Janeiro, Angola exportou, em média, 1,685 milhões de barris, o que traduz a sua quota parte nos cortes convencionados entre OPEP e associados, e um número ligeiramente superior ao revelado ontem no relatório mensal da OPEP que, baseada nas tradicionais ‘fontes secundárias’, aponta para que o país tenha exportado, no primeiro mês do ano, 1,659 milhões de barris por dia.

O relatório da organização, a que Angola já presidiu, estima que a produção nacional em Fevereiro decaiu pouco mais de 18 mil barris diários, passando para 1,641 milhões de barris por dia (ver caixa). Pelo menos para já sobre a euforia suscitada pelo impacto dos acordos conduzidos pela OPEP caiu um ‘balde de água fria’. Os culpados são os mesmos de sempre, a produção norte-americana de petróleo a partir da injecção de areia no xisto, o chamado petróleo de xisto. E aqui também e, quase que se diria, aqui sobretudo, faz-se valer o dedo de Donald Trump, que tem impulsionada a produção petrolífera norte- americana, estando com o seu ‘America First Energy Plan’ a travar o plano de fazer subir os preços através da limitação da oferta nos 1,8 milhões de barris por dia fixada pela OPEP e outros 11 países.

Os 13 países membros da OPEP que se associaram à politica de cortes na oferta da matéria-prima energética continuam a reduzir a sua produção, reduzindo-a em 139,5 mil barris em Fevereiro. Desde Dezembro que a produção da OPEP vem baixando. No final de Dezembro, o mês que se seguiu à realização dos acordos, a produção da organização foi, em média, de 33,029 milhões de barris por dia. Em Janeiro reduziuse para 31,958 barris e, no último mês, situou-se em 31,958 milhões de barris. Há, o que também já se tornou hábito, sinais opostos vindos da organização. A agência Investing. com atribui mesmo a quebra do preço do barril esta Terça- feira ao facto de a Arábia Saudita, o maior produtor mundial a seguir à Rússia, à divulgação no relatório da OPEP, quando cita números baseados em ‘comunicação directa’ que a Arábia Saudita terá novamente regressado a uma produção diária acima de 10 milhões de barris por dia.

Ao basear- se nesta fonte, o documento da organização atribui, em Fevereiro, à Arábia Saudita uma produção média de 10,011 milhões de barris por dia e um acréscimo na produção em relação ao mês anterior de mais de 263 mil barris. Que vão fazer a OPEP e os outros 11 subscritores da estratégia de corte na produção perante esta situação ? O acordo assinado em finais de Novembro de 2015 tem uma duração de seis meses, podendo ser renovado e mesmo reformulado. Na passada semana, em Houston, Estados Unidos, perante líderes do sector presentes na CERAWeek, Jabbar Al-Luaibi, ministro do petróleo do Iraque já foi admitindo que ‘é provável que precisemos’ de prolongar os cortes.

Angola aumenta exportações para a China

A Arábia Saudita e o Iraque foram os países que mais reduziram as respectivas produções em Fevereiro (menos 68,1 barris diários e menos 62 barris diários, respectivamente. Angola continua a liderar a produção petrolífera no continente africano, apesar da ligeira contracção na sua produção, com uma média de 1,641 milhões de barris produzidos por dia. Já o segundo produtor, a Nigéria, que se confronta com problemas internos no Delta do Nilo devido às acções de sabotagem nas instalações petrolíferas), conseguiu fazer crescer a sua produção em 58 mil barris, atingindo uma média de produção de 1,608 milhões de barris diários. Angola mantém-se como um dos principais fornecedores petrolíferos da China, sendo apenas suplantada pela Arábia Saudita e posicionando-se à frente da Rússia.

De salientar que os três países detêm uma quota de mercado no fornecimento da matéria-prima à China muito semelhante: Angola assegura a mesma quota-parte das importações chinesas de petróleo que a Arábia Saudita (15%) e a Rússia 14%. Ainda de acordo com a informação fornecida pelo relatório da OPEP, respeitante a Janeiro, Angola foi o país que mais aumentou as suas exportações de crude para a potência asiática face ao mês anterior (um acréscimo de 46%), contra 41% de aumento por parte do país do Médio Oriente. No entanto, e face ao significativo aumento de Dezembro, as importações chinesas de petróleo bruto decaíram em Janeiro. Assim, se em Dezembro a potência asiática havia importado uma média de 8,509 milhões de barris, em Janeiro recebeu nos seus portos 7,922 milhões de barris (menos 588 mil).

Opep revê em alta

Preços: O cabaz de referência da OPEP subiu em Janeiro 2% para USD 53,37 por barril. O ICE Brent, negociado em Londres, subiu 1% para USD 56 por barril. O NYMEX WTI, negociados nos EUA, subiu 1,6% para USD 53,46 por barril. O ‘spread’ Brent/WTI estreitou-se para USD 2,53 por barril.

Crescimento: A OPEP mantém a previsão de que a economia global cresça 3,2% em 2017.

Procura de petróleo: A OPEP reviu em alta a procura para 2016 (em 1,38 mbd). Também a procura para 2017 foi revista em alta em 1,26 mbd, estimando que a procura média global este ano seja de 96,31 mbd.

Procura OPEP: A organização projecta uma procura para o petróleo dos seus membros. Este ano de 32,4 mbd, uma revisão em alta (mais 700 mil barris face à anterior previsão).

Oferta: Em 2016, a oferta não-OPEP vai retrair-se, mantém a organização, em 0,66 mbd Em 2017, a oferta não-OPEP deverá crescer 0,4 mbd, para uma média de 57,74 mbd.

Stocks: Em Janeiro os stocks comerciais da OCDE**estavam em 289 milhões de Barris da média dos últimos cinco anos. Mbd – milhões de barris diários OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (países mais desenvolvidos)

 

Comentários

comentários