Segundo o governador de Luanda, Higino Carneiro, depois da Independência, sobretudo no período em que decorreu a guerra, começou-se a observar um crescimento populacional na ordem de 8 a 10% ao ano.

O governante fez essa afirmação no acto da apresentação dos diversos problemas que afligem a vida na província de Luanda, realizado ontem, 20 de Julho, em Luanda, no Anfiteatro da Universidade Independente de Angola. A Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola (AEUPA) apresentou ontem, no Anfiteatro da Universidade Independente de Angola, diante do governador, Higino Carneiro, os diversos problemas que afligem a vida na província de Luanda.

Tratam-se das construções anárquicas e ilegais, criminalidade, desemprego, sinistralidade rodoviária, saneamento básico, falta de água potável e electricidade, entre outros. Durante o encontro, o governador explicou que se deve fazer uma resenha histórica da província de Luanda. “Esta Luanda, que até 1974 era uma cidade que só tinha capacidade para albergar 500 mil pessoas, e existiam para além de Luanda como cidade, Viana e Cacuaco”, observou.

De acordo com o governante, depois da Independência, sobretudo no período em que decorreu a guerra e muito depois do estabelecimento da paz definitiva em 2002 , começou-se a observar um crescimento na ordem de 8 a 10% ao ano. “Um crescimento desordenado do ponto de vista urbanístico e infra-estrutural e que fez com que hoje aquilo que era uma cidade para 500 mil pessoas acolhesse mais de oito milhões de pessoas”, disse.

O governante explicou que houve uma disparidade, “se as condições estavam criadas quer de água, quer de energia, habitação, saneamento básico, infraestrutura rodoviária, escolas, equipamentos sociais de saúde, de educação e demais serviços administrativos, não podem de forma alguma suportar esse crescimento que ocorreu nos últimos 20 anos e, naturalmente, com as consequências da guerra que durou muitos anos”. O presidente da AEUPA, Jofre dos Santos, explicou que as universidades desempenham um papel crucial no desenvolvimento socioeconómico das grandes cidades, e isto efectiva-se através dos seus investigadores devidamente qualificados e pelo estabelecimento de parcerias com empresas, a formação do capital humano, contribuindo para a educação dos munícipes como processo formal da aprendizagem.

Governo continua engajado na busca de respostas

higinoO governador de Luanda ouviu e tomou boa nota das preocupações levantadas pelos jovens universitários, tendo reafirmado o engajamento do Executivo na sua resolução. Apresentou o actual quadro socioeconómico da província, apontando a insuficiência de recursos financeiros como causa das dificuldades na satisfação das principais preocupações da juventude, nomeadamente no acesso à habitação, emprego, ensino e formação profissional, ambiente, entre outros. “Para resolver estas preocupações é necessário dinheiro, que nesta altura é insuficiente devido à crise económica e financeira que afecta o país”, frisou Higino Carneiro.

Durante o debate foi apresentado o “Projecto Cooperativa Habitacional Minha Casa”, que visa ajudar os jovens a obterem uma parcela de terreno junto do Governo com objectivo de os desencorajar a enveredarem pelo caminho da construção anárquica, clandestina e de forma desordenada. Participaram do debate estudantes de várias universidades sedeadas no país, membros do Governo Provincial de Luanda (entre administradores e directores de órgãos públicos) . O grande objectivo foi abordar, intensa e abertamente, os problemas da capital do país, na perspectiva da apresentação de soluções.

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