O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, premiu no último Sábado, 11 de Março, o botão que encerrou definitivamente o último vão do desvio do rio Cuanza no projecto de construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca.

A operação simbólica, também testemunhada por altos responsáveis do Executivo, membros do corpo diplomático acreditado em Angola, líderes de partidos políticos da Oposição, membros do clero e por vários técnicos nacionais e estrangeiros, marcou o início da devolução do curso de águas do rio ao seu leito natural, depois de ter sofrido um desvio para a construção do paredão (barragem) que vai permitir a retenção dos recursos hídricos necessários para mover as poderosas máquinas geradoras de electricidade.

Quando as sirenas sinalizaram o sucesso do arrear da última comporta hidráulica e se soltaram os balões, a equipa de todo o aproveitamento bateu palmas. Para os construtores, marcavase mais um passo decisivo, e para o sector energético nacional, conquistava- se mais uma etapa fundamental na longa batalha pela eliminação do déficit na oferta de electricidade. Conforme estabelecido no Plano de Acção do Sector de Energia e Águas, está prevista para Julho de 2017 a entrada em operação da 1ª unidade geradora do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, um passo importante no processo de ampliação do Sistema Norte, em atendimento à crescente demanda de energia do país. Laúca terá capacidade total instalada de 2.070 MW e fornecerá energia para mais de 8 milhões de angolanos.

Além disso, aumentará o percentual de energia limpa na matriz energética angolana, possibilitando a “redução de tarifa e a melhoria na qualidade de vida dos consumidores”. Para o alcance deste objectivo, a albufeira (bacia) da barragem começou o processo de enchimento que lhe vai permitir em Abril deste ano iniciar os testes com água (comissionamento) da 1ª unidade geradora, para no último dia de Julho iniciar o fornecimento comercial de electricidade. Até ao final deste ano, está prevista a disponibilização de 3 unidades geradoras, que totalizarão aproximadamente 1.000 MW de potência instalada (50% da capacidade máxima). A barragem de Laúca, com uma altura total de 156 metros e 1.242 metros de comprimento, terá uma albufeira de 188 quilómetros de extensão. Contará com duas subestações, sendo uma de 400 kilovolts e outra de 220 kilovolts. O enchimento da albufeira será repartido em quatro etapas.

O Presidente da República deu início à primeira, Sábado. A segunda etapa, que deverá começar dia 11 de Abril, compreenderá o enchimento da albufeira até à sua elevação de 800 metros, medidos a partir do nível médio das águas do mar. Para essa etapa será realizada a retenção de 227 metros cúbicos de água por segundo, durante 30 dias, totalizando um volume de 553 milhões de metros cúbicos, necessários para os testes das máquinas. Na terceira etapa, prevista entre 12 de Abril a 12 de Julho, espera-se que a albufeira atinja uma quota de 830 metros, correspondente a uma retenção de dois biliões e 680 milhões de metros cúbicos (vazão de 274 metros cúbicos por segundo), suficientes para atender à demanda de água das unidades geradoras de Laúca que serão disponibilizadas em 2017 (3 unidades com capacidade de 334 megawatts cada uma).

A terceira etapa está condicionada à hidrologia do rio Cuanza, afectada neste momento por uma estiagem (chuvas escassas na região). A quarta e última etapa será executada em 2018, para se alcançar a quota de 850 metros de altura. Esta complexa manobra afecta directamente os aproveitamentos hidroeléctricos de Capanda (a montante) e Cambambe (a jusante), razão pela qual ficou extremamente afectado o fornecimento de electricidade a Luanda o que levou mais uma vez o titular da pasta de energia e águas, João Baptista Borges, a renovar o pedido de desculpas a todos os clientes afectados. O Presidente da República aproveitou a ocasião para oferecer às autoridades tradicionais e população em geral diversos bens materiais, tendo também visitado demoradamente a cidade de Laúca e suas áreas. Enquanto o fez, o Chefe de Estado procurou se inteirar sobre várias questões ligadas ao empreendimento, populações e quadros, tendo-se preocupado, particularmente, com o destino que se vai dar à mão-de-obra qualificada e não qualificada que se juntou para construir Laúca depois que o projecto esteja finalizado.

Próximas etapas de Laúca

1 º-ABRIL: Início dos testes com água da 1ª unidade geradora de electricidade

2º-JULHO: Dia 31, entrada em operação comercial da 1ª unidade geradora de electricidade.

3º-FINAL DO ANO: 1.000 Megawatts disponíveis pelas três primeiras unidades (50% da capacidade).

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