A OPEP decidiu cortar a produção e quer estabilizar o preço do barril nos USD 60 secando o excesso de stocks existentes. A Agência Internacional de Energia estima o reequilíbrio do mercado no início de 2017 e admite-se que o preço possa subir a USD 70 em 9 meses

O preço do petróleo empreendeu uma recuperação fulminante após os 14 membros da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, terem alcançado na passada Quarta-feira um acordo histórico, que corta a produção total da organização em 1,2 milhões de barris diários, a que se acrescentarão 600 mil barris retirados do mercado por produtores que não pertencem à organização, com a Rússia à cabeça (compromete-se a reduzir a produção em 300 mil barris).

O excesso de oferta que vinha desequilibrando o preço do barril, puxando-o para baixo, é estimado em 2 milhões de barris por dia. Ora, a implementação do acordo conseguido pela OPEP, com um corte na oferta de 1,8 milhões de barris diariamente, conduz ao equilíbrio de oferta e demanda no mercado, o que acontecerá no início do próximo ano, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), que exprime a posição dos países consumidores.

Os investidores interiorizam as consequências do acordo e sabem que, pelo menos, 300 mil barris por dia produzidos fora da OPEP sairão do mercado, dado que as próprias grandes produtoras russas, como a Rosnef e Lukoil, já anunciaram a sua adesão ao acordo, devendo acelerar o declínio dos seus poços mais antigos.

A recuperação do preço é, de facto, fulminante. Desde a véspera da reunião da OPEP o preço do barril de Brent, referência das ramas angolanas, avançou 11,32% na praça de Londres, passando de USD 46,4 para USD 54,46 no fecho de Sexta-feira, portanto a caminho de um ganho imediato superior a USD 5, como prognosticaram alguns analistas, entre os quais os do banco JP Morgan.

O objectivo da OPEP é secar os stocks em excesso da matéria-prima existentes. Quanto mais elevados forem os stocks mais o preço do petróleo tenderá a descer. A OPEP quer colocá-los a um nível que estabilize o preço do barril de petróleo nos USD 60.

O secretário-geral da organização, Mohammas Barkindo, acentuou, em entrevista à televisão da Bloomberg, que os cortes irão acelerar a diminuição de stocks. O sentimento generalizado é de que o preço do petróleo vai subir. O ministro do Petróleo da Venezuela, um dos membros da OPEP mais entusiastas da política de cortes da produção, Eulogio del Pino, considera que dentro de nove meses o nível de stocks voltará ao normal, podendo o preço do barril subir para USD 70.

Os analistas continuam, entretanto, a chamar a atenção para os detalhes da concretização do acordo e para a possibilidade de o foco se virar para uma eventual resposta da oferta por não membros da organização e, principalmente, pela produção norte-americana de petróleo não convencional, assente na fracturação do xisto.

A principal causadora, aliás, da crise do preço do petróleo. Com o apoio russo assegurado, a OPEP terá agora de convencer os outros grandes produtores que não pertencem à organização em reduzir as respectivas produções em 300 mil barris por dia. No próprio dia do acordo, 30 de Novembro, antecipava-se que a reunião ocorresse dia 9 de Dezembro, em Doha, no Qatar.

Depois disso a reunião chegou a estar prevista para Moscovo, mas foi finalmente marcada para Viena no próximo Sábado, não se sabendo quais os produtores não OPEP que irão estar presentes, mas é mais que previsível que as autoridades russas, empenhadas no acordo, procurem captar a adesão de países próximos como o Azerbeijão.

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